Motoristas do Espíto Santo assumem compromisso com a Justiça

A partir de hoje, 44 motoristas de Vitória assumem a responsabilidade de não dirigir após ingerir qualquer bebida alcoólica. Eles foram convocados ao mutirão de crimes de trânsito, feito pela 10ª Vara Criminal da cidade, para trocar o risco de pena e punição por um acordo: pagar R$ 1 mil a uma instituição de caridade e assistir a uma palestra educativa, além de cumprir com alguns outros compromissos.

Eles devem pagar o valor a partir de janeiro, em quatro parcelas de R$ 250; a palestra foi vista ontem, e serviu como um puxão de orelha, com imagens fortes de acidentes e a fala do juiz Paulo Sérgio Bellucio, responsável pela Vara de Crimes de Trânsito. Mas a vigília da Justiça dura por dois anos, com comparecimento à 10ª Vara, uma vez ao mês, e pedido e permissão judicial prévios para viagens que durem mais de 10 dias e com destino fora da Grande Vitória.

“A suspensão do processo será mantida por dois anos, e assim continuará se não houver a quebra do acordo, ou o condutor reincidir no crime. Caso contrário, ele pode voltar a responder ao processo e, aí sim, ser punido pelo crime que cometeu”, explicou Bellucio.

Além disso, assinando o acordo feito durante o mutirão, o condutor ainda tem a oportunidade de manter a ficha limpa, com a Justiça, o que permite a participação em concursos públicos, por exemplo.

Ao todo, cerca de 600 pessoas já passaram pelos mutirões da Justiça destinados a crimes de trânsito, desde que a Lei Seca surgiu, em junho de 2008. A lei mudou as quantidades de álcool por litro de sangue no organismo que determinam punição administrativa ou criminal ao condutor que consome álcool.

Foram realizados oito audiências. A intenção do juiz é de reduzir o número de reincidências de consumo do álcool associado ao trânsito.

Aos 22 anos, I. C. foi flagrado dirigindo sob a influência do álcool. “Voltava de uma festa, com minha namorada, quando avancei o sinal e bati em um táxi. Ainda bem que ninguém se machucou”, conta. Ele havia consumido grande quatidade de álcool, foi preso e teve que pagar fiança. “Minha mãe ficou desesperada”, lembra o mecânico. Ontem ele era um dos 44 homens que foram ao Fórum Criminal de Vitória para assinar o acordo com a Justiça. “Já não dirijo mais se for beber. Até meu pai parou de fazer isso. Um susto já foi o suficiente”.
Autor: Maurílio Mendonça
OBID Fonte: A Gazeta