Fiocruz treina profissionais que mapearão uso de crack

Fiocruz
Nos dias 29 e 30 de novembro, um grupo de pesquisa coordenado pelo pesquisador Francisco Inácio Bastos, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), promoveu um treinamento de profissionais que vão mapear cenas de uso de crack no país.

O mapeamento é uma das etapas preparatórias do inquérito, de âmbito nacional, que avaliará o consumo de drogas, principalmente o crack, em 2011. Além da representante da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), órgão que encomendou o inquérito, Cejana Passos, o treinamento foi direcionado a membros da academia e de programas de redução de danos das 27 capitais.

Durante os dois dias de treinamento, os profissionais assistiram a uma apresentação sobre a proposta do inquérito e receberam orientações para a realização do mapeamento das cenas de uso de crack (cracolândias). De acordo com Neilane Bertoni, membro do grupo de pesquisa e uma das coordenadoras do inquérito, o treinamento serviu para explicar como as equipes seriam divididas e o modo como o mapeamento seria realizado. “Deixamos claro que neste momento nos ateremos em mapear o uso da droga, de modo que nosso foco são as cenas de uso e não a dinâmica de compra e venda”, explica.

Segundo Bertoni, a expectativa é a de que, nos próximos meses, o grupo de pesquisa consiga realizar mais um treinamento, desta vez de âmbito regional, a fim de orientar as pessoas envolvidas diretamente nas cenas de uso. A coordenadora revela que, junto ao mapeamento, uma outra etapa para a realização do inquérito está em processo de desenvolvimento. “Estamos em fase de licitação para a contratação de um instituto que realizará uma pesquisa de opinião sobre o uso de crack. Neste caso, utilizaremos a metodologia de estimação indireta, na qual os entrevistados responderão sobre hábitos e características de terceiros”, completa.

A última etapa investigará o perfil dos usuários e, para isso, será selecionada uma amostra das cenas de uso (cracolândias) e também uma amostra dos usuários da pesquisa de opinião. “A intenção é fazer um questionário enxuto, mas que consiga abordar várias questões, como comportamento de risco, doenças não infecciosas, transtornos mentais, interação com outras drogas, além de fazer testes de HIV, hepatites e tuberculose”, adianta Bertoni. A coordenadora espera que todos esses dados estejam disponíveis entre abril e maio de 2011, e que o resultado final do inquérito nacional saia no início de 2012.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)