Contra o sucesso e a badalação, eles vão atrás das drogas

Diário de São Paulo
Artistas têm uma rotina invejada por muitos, mas vários procuram os entorpecentes para conseguir lidar com o sucesso, a rotina e a falta de privacidade. Especialistas dizem que recaídas são normais e é preciso determinação para se livrar do vício.

Eles ganham bem, são reconhecidos, estão sempre em evidência e participam ativamente de festas. A vida de muitos artistas poderia causar inveja se não fosse por um desvio – o consumo de drogas, que muitas vezes prejudica a carreira e a saúde.

Um dos casos mais recentes é o do ator Fábio Assunção, que assumiu publicamente, no ano passado, o tratamento ao qual se submeteu para se livrar do vício. Em 2008, Fábio abandonou a novela “Negócio da China” para se dedicar ao tratamento e, no fim de novembro, foi afastado da novela “Insensato Coração” por faltar às gravações. Rumores dão conta que o ator não estaria recuperado e, inclusive, teria sido internado no Hospital Albert Einstein na segunda-feira com taquicardia. O hospital e a assessoria do ator negam a informação.

Recaídas e altos e baixos durante o tratamento são normais não apenas entre os artistas, mas também entre os dependentes anônimos. “O tratamento é difícil, poucas pessoas conseguem abstinência completa. As recaídas fazem parte do tratamento de todo mundo”, diz o psiquiatra Marcelo Niel, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Postura / O acesso, de certo modo, mais fácil que artistas têm às drogas pode comprometer o tratamento se não houver determinação, segundo o psiquiatra Artur Guerra, da Universidade de São Paulo (USP). “O artista vai chegar em um ambiente em que haverá gente usando drogas e poderá sentir vontade. Por isso é preciso haver uma mudança de paradigma”, afirma.

A recuperação total, segundo ele, não é rápida e nem fácil. “Para o artista tudo é mais difícil, ele está acostumado a mandar. Admitir que ele é mortal e não pode usar a droga não é fácil”, avalia Guerra, que atende artistas que tentam se livrar do vício. O psiquiatra garante, porém, que é possível recuperar os artistas viciados. “O problema não é a droga, é o indivíduo que vai atrás dela”.

Trabalho é fundamental para diminuir chances de recaída?

Manter-se atuante na profissão, artística ou não, é uma das armas para diminuir as chances de recaída. “A pessoa se afasta para se desintoxicar, mas depois precisa voltar ao trabalho. Ele é fundamental para a abstinência. Até porque no trabalho dificilmente haverá droga”, explica o psiquiatra Artur Guerra.

O profissional conta que pacientes músicos já disseram que durante as apresentações não há consumo de drogas para não prejudicar o trabalho. “A droga é oferecida antes ou depois dos shows”, diz ele.

A procura por drogas entre pessoas que, teoricamente, são bem sucedidas, ricas e felizes se explica pela falta de preparo psicológico para lidar com a fama e com o dinheiro ganho. “Eles em geral não são mais felizes. Muitos têm um desconforto muito grande em conviver com a fama”, explica Guerra. Segundo ele, nestes casos a droga funciona como uma “muleta” que diminui a ansiedade e oferece um relaxamento para que o artista viva alguns períodos de sua vida sem sofrer com este estresse.

Artistas também são mais propensos ao uso de drogas devido à sua maior sensibilidade e altos e baixos, segundo o psiquiatra Marcelo Niel. “Quem começou na profissão muito cedo, teve um enriquecimento muito rápido, são os mais propensos ao uso de drogas”, difere ele.

OUTROS CASOS

Amy Winehouse
Vencedora de cinco prêmios Grammy, a cantora foi flagrada várias vezes com drogas. Tentou superar o vício com internações.

Lindsay Lohan
A atriz foi presa várias vezes por posse de drogas e por dirigir sob o efeito de álcool. Está internada em uma clínica de reabilitação.

Macaulay Culkin
O ator americano estourou em 1990 no filme “Esqueceram de Mim”. Anos depois, foi preso por posse de drogas.

Elis Regina
Em 1982, a cantora foi encontrada morta em um quarto de hotel, aos 36 anos, por intoxicação de bebidas e cocaína.

Cássia Eller
A cantora tinha 39 anos quando morreu, em 2002, após três paradas cardíacas. Houve suspeitas de overdose.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)