Lei Seca reduz número de mortes no trânsito do Rio em até 77%

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Levantamento mostrou que número de mortes decorrentes de acidentes de trânsito no Rio de Janeiro caiu de 2008 para 2009.

Uma pesquisa da organização não governamental (ONG) Rio Como Vamos mostrou que o número de mortes decorrentes de acidentes de trânsito no Rio de Janeiro caiu de 2008 para 2009. Das 26 regiões administrativas estudadas, apenas oito tiveram aumento nos registros.

Segundo o levantamento, na última semana, a queda no período é reflexo da Lei Seca que, com operações de trânsito, coibiu os motoristas de ingerirem bebidas alcoólicas antes de dirigir com medidas como a aplicação de multas pesadas, perda da carteira de habilitação e até a detenção.

Para o coordenador da operação Lei Seca e subsecretário de Governo, Carlos Alberto Lopes, essa é mais uma prova da importância da ação e mostra que as pessoas estão de fato mudando o comportamento na hora de voltar para casa.

” As pessoas estão usando outros meios de transporte depois de beber. Os números são interessantíssimos. Em Copacabana, por exemplo, tivemos uma redução de 66,67%. Na Rocinha, de 77,78% e, na Ilha do Governador, de 38,46%” , contabiliza.

No entanto, a medida não teve a mesma eficácia em toda a cidade. Em Campo Grande, na Zona Oeste, Complexo do Alemão, Pavuna, Penha, Tijuca e Vigário Geral, na Zona Norte, o número de vítimas aumentou de um ano para o outro, assim como em Santa Teresa, no Centro. Calculado sobre um grupo de 100 mil habitantes, o número de mortes na Pavuna foi o mais alto, de 22,33.

” A redução das mortes no trânsito é, evidentemente, resultado da Lei Seca. O índice caiu em praticamente todas as regiões. Mas onde não caiu é necessária uma intervenção focada, com maior vigilância” , avaliou a presidente da ONG, Rosiska Darcy de Oliveira.

O coordenador da operação lembra, entretanto, que mesmo em locais onde foi registrado aumento nos índices é preciso considerar os números absolutos.

” Vila Isabel, por exemplo, teve aumento de 300%. Parece muito, mas se olharmos os números absolutos vamos entender. O bairro tinha registrado apenas 1 morte em 2008 e passou para 3 em 2009, assim como Anchieta, que teve aumento de 100%. Isso porque, em 2008, não havia sido registrado caso de morte no local e, em 2009, foi registrado um” , detalhou.

Lopes acrescentou que no atual momento não há como aumentar o efetivo de PMs trabalhando nas operações, já que todos estão mobilizados no combate à violência na cidade. Ele lembrou que mesmo os policiais que trabalham na Lei Seca ajudam a combater crimes.

” Temos 25 registros de pessoas abordadas nas blitzes por pendências na justiça. Já tivemos até o caso de um seqüestro de um casal na Zona Sul que foi evitado. Quando viram a operação, os assaltantes que dirigiam o veículo tentaram fugir” , conta o coordenador.

Para calcular o indicador, a ONG acessou o sistema DataSus do Ministério da Saúde, além de dados de outros órgãos governamentais. Além da violência no trânsito, a pesquisa elenca cerca de 70 indicadores socioeconômicos sobre a qualidade de vida dos cariocas.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)