Pesquisa revela que o álcool é o grande vilão dos lares do Brasil

Diário de Canoas Online

Mais de 30% dos casos de agressão a mulheres têm relação com a bebida.

Dados do Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA) divulgados ontem pelo Ministério da Saúde mostram que, em 2008, a suspeita de ingestão de bebida alcoólica por parte do provável agressor foi relatada por 30,3% das mulheres vítimas de violências doméstica, sexuais e outras. Conforme o estudo, realizado em serviços de referência para atendimento de vítimas de violência em 18 municípios de 14 Estados do País, em 62,7% dos casos de violência contra mulheres a agressão aconteceu em residência. Entre as que afirmaram já terem sido agredidas anteriormente, o percentual foi de 39,7%.

SAIBA MAIS
Violência contra homens – O estudo mostra que das 8.766 vítimas de violência sexual, doméstica e outras violências atendidas em unidades de referência, 2.530 (28,9%) foram homens, no ano de 2008. Entre eles, 30,2% tinham de zero a 9 anos; 23,4% eram adolescentes entre 10 e 19 anos; e 16,8% tinham entre 20 e 29 anos

Autoria e local – Homens foram responsáveis por 70,3% dos casos de violência sexual, doméstica e outras violências contra mulheres. 18,7% dos agressores foram parceiros com quem elas mantinham relação estável/cônjuge, ex-cônjuges somaram 6%, enquanto namorados 2,4% e ex-namorados 2%

Em 14,2% dos casos, a violência foi praticada pelos pais. Pessoas desconhecidas (13,5%) e amigos (13,3%) também figuram entre os principais prováveis agressores, segundo relatos das vítimas

Tipos de violência – A violência física foi a principal causa de atendimento (55,8%), sendo 52% em pessoas do sexo feminino e 65,1% no sexo masculino. A violência psicológica ou moral foi responsável por 41,2% dos casos – 49,5% em mulheres e 20,8% em homens

Onde procurar ajuda
Centro de Atenção Psicossocial para usuários de Álcool e outras Drogas (Caps/AD) – Fica na Rua Domingos de Almeida, 228, no Centro de Novo Hamburgo. O atendimento é de segunda à sexta-feira, das 8 às 18 horas, sem fechar ao meio dia. O agendamento pode ser feito pelo telefone (51) 3527-2343. No local, jovens, adultos e idosos têm acesso a consultas, participam de seminários e oficinas. A equipe é formada por psicólogos, assistentes sociais, clínicos gerais, psiquiatras, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, técnicos de enfermagem.

Alcoólicos Anônimos (AA) – Em Novo Hamburgo, uma das unidades funciona na Rua José do Patrocínio, 843, no bairro Rio Branco. As reuniões fechadas ocorrem às segundas, terças, quintas e sextas-feiras, às 20 horas, e aos sábados, às 16 horas. Já os encontros abertos são às quartas-feiras às 20 horas e aos domingos às 19 horas.

Dependente atinge pessoas próximas
“Os dados do Ministério da Saúde confirmam a realidade do nosso trabalho. O dependente de álcool atinge pessoas próximas”. A afirmação é da assistente social do Caps/AD de Novo Hamburgo, doutora em Serviço Social e professora da especialização em dependência química da Unisinos, Ecleria Alencastro. Para ela, o aumento da quantidade de bebida e frequência são sinais de alerta, além da hereditariedade.

Para evitar que filhos se tornem usuários de álcool, Ecleria destaca que os pais têm de dar o exemplo, em primeiro lugar. Depois, conhecer os amigos dos filhos e impor limites como não deixar que façam tudo. “Álcool é problema de saúde e, normalmente, as pessoas usam como alívio do sofrimento.”

AS VÍTIMAS
Das 8.766 vítimas atendidas em unidades de referência, 6.236 (71,1%), eram mulheres. O número inclui crianças, adolescentes e idosos. Mulheres casadas ou em união estável representaram 25,6% dos casos, enquanto as solteiras responderam por 38,7% dos registros. Entre as mulheres, 28,8% dos casos se concentraram em adolescentes e jovens dos 10 aos 19 anos.

Registros
Para a titular da Delegacia da Mulher de Novo Hamburgo, Miriam Elias, a maioria dos casos relacionados à aplicação da Lei Maria da Penha estão ligados ao uso de álcool ou drogas. Segunda-feira é o dia com maior número de registros, entre 15 e 20 casos.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)