Mulheres que não abandonam o consumo durante gravidez colocam os filhos em risco

Jornal de Brasília
Agitação, choro incessante, taquicardia, tremores e até convulsões.

Um recém-nascido se debate em um leito de hospital e precisa ser sedado para conseguir lidar com os sintomas da falta de drogas em seu pequeno corpo. A crise de abstinência, tão íntima de quem depende de substâncias como o crack, pode fazer vítimas os filhos de mulheres viciadas que não interromperam o uso durante a gravidez.

A criança também é exposta ao risco de malformações cerebrais, motoras, na visão e audição, que podem comprometer o desenvolvimento durante toda a vida. A probabilidade de aborto, por causa de danos ao útero, também é grande. Ainda assim, com o aumento do uso de drogas, principalmente o crack, os casos de meninas e mulheres que geram bebês nessas circunstâncias assustam especialistas e profissionais de saúde.

Há cerca de um mês, Roberta (nome fictício), de 27 anos, deu à luz a sua quinta filha. Durante toda a gravidez, ela perambulou pela área central de Brasília. Pernoitava na Rodoviária do Plano Piloto, onde facilmente encontrava pedras de crack para satisfazer a fissura. A equipe do Projeto Rua da Vida, ligado ao Núcleo de Acolhimento aos Usuários de Álcool e Outras Drogas (Nauad), da Secretaria de Saúde, conseguiu vaga para ela em uma comunidade terapêutica. Mas Roberta fugiu por três vezes.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)