Saiba o que 10 pesquisas dizem sobre comer, fumar e beber na gestação

Terra
É de conhecimento geral que as mulheres grávidas precisam cuidar da saúde, principalmente por meio da alimentação.

Substâncias que interferem na boa manutenção do organismo, como álcool e cigarro, são ainda mais perigosas durante a gestação. A saúde da mãe e os hábitos que mantém na gestação e nos primeiros meses de vida da criança definem a saúde e interferem no desenvolvimento de doenças na vida adulta.

Pesquisas realizadas em todo o mundo reforçam as recomendações de vida saudável, principalmente durante a gravidez, e levam os alertas ainda mais longe: o que a mãe faz enquanto espera o filho pode ter consequência até mesmo na definição de seu caráter.

Confira as conclusões de 10 pesquisas recentes sobre o assunto e, se você estiver grávida, pense duas vezes antes de manter seus hábitos durante a gestação.

Fumo e crimes

Além dos malefícios à saúde do feto, pesquisas recentes também associam o fumo durante a gravidez com maiores chances de p filho cometer delitos na vida adulta. A constatação foi feita a partir da análise dos hábitos de mais de 4 mil mulheres e de seus filhos, entre as idades de 33 e 40 anos.

Entre as fumantes que consumiam mais do que 20 cigarros por dia, houve maior incidência de filhos que haviam cometido delitos e tinham sido presos. O estudo feito pela Escola de Saúde Pública de Harvard explica a relação com o fato de que o fumo afeta áreas do cérebro que coordenam o comportamento.

Obesidade na gestação

Mulheres que engordam muito durante a gravidez têm mais chances de terem bebês pesados, com mais de 4 kg. Um levantamento feito com mais de 40 mil mulheres identificou que as chances dobram nas gestantes obesas, mesmo se elas não apresentam casos de diabetes gestacional, uma das principais causas do nascimento de bebês muito grandes.

A pesquisa, conduzida por Centro Kaiser de Pesquisa em Saúde, em Oregon, nos Estados Unidos, identificou que uma em cada cinco grávidas em todo o mundo ultrapassa os 18 kg ganhos na gestação. Bebês que nascem muito pesados têm mais chances de desenvolver sobrepeso na vida adulta ou de se tornarem obesos.

Remédios

O consumo de analgésicos durante a gravidez foi associado a problemas de fertilidade nos filhos homens. O uso prolongado de substâncias como paracetamol, aspirina e ibuprofen podem causar danos ao desenvolvimento dos órgãos sexuais masculinos.

O problema mais comum identificado em pesquisas é a criptorquidia (quando os testículos não descem para o saco escrotal), o que pode afetar a qualidade do esperma e também está associada a casos de câncer na terceira idade. Usar mais de um medicamento de maneira contínua é ainda mais perigoso e, segundo estudiosos da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, aumenta em até sete vezes os riscos de problemas na fertilidade da prole.

E os riscos são maiores se o consumo dos medicamentos acontece entre o quarto e o sexto mês de gestação.

Dieta na gravidez

Se a obesidade da mãe pode comprometer a saúde do bebê, dietas de restrição alimentar também podem trazer danos ao futuro da criança. Cientistas descobriram que mulheres que passam a gravidez em dietas de restrição alimentar também podem condenar os filhos a serem obesos no futuro.

Isso porque a privação tem consequências ligadas ao corpo tentar compensar a falta de alimentos ao longo vida. A pesquisa da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, aponta os riscos em mulheres que fazem dieta também no momento da concepção, pois a restrição alimentar afeta a química do desenvolvimento das células de gordura na criança.

Chocolate para as futuras mamães

Comer chocolate foi associado a menores riscos de desenvolvimento de pre-eclampsia, cujas causas ainda são desconhecidas e que levam a nascimentos de bebês prematuros ou colocam em risco a vida do feto e da mãe. A doença é caracterizada pela hipertensão (alta pressão arterial) e proteinúria (presença de proteína na urina).

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Yale aponta que mulheres que consumiram a guloseima cinco vezes na semana tinham 40% menos chances de sofrer de pre-eclampsia do que as que comiam o alimento menos do que uma vez por semana. O estudo aponta que a teobromina presente no chocolate é a responsável pelo benefício.

Álcool

Beber durante a gravidez não é indicado, mas ainda pior para futuras mães com mais de 30 anos. O alerta da pesquisa da Universidade do Novo México destaca que mães mais maduras tendem a beber mais do que as mais jovens. Os resultados do consumo excessivo de bebidas na gestação são deficiências de aprendizado, concentração e anomalias psíquicas.

Segundo a pesquisa, o resultado ficou ainda mais evidente em crianças da mesma mãe que bebeu em ambas as gestações. O filho mais novo apresenta mais problemas do que o irmão mais velho. O consumo de bebidas alcoólicas durante a gravidez também é associado a abortos, nascimentos prematuros, defeitos congênitos e com o nascimento de bebês abaixo do peso.

O consumo de álcool por gestantes não é totalmente proibido, mas as doses recomendadas variam de até duas a quatro doses por semana. Mas recentemente tem havido consenso para proibir o consumo para evitar problemas de interpretação da quantidade de doses e a possibilidade de risco à saúde do feto.

Fumo e risco de morte

Fumar durante a gravidez também está associado a maiores riscos de Síndrome da Morte Súbita Infantil, a principal causa de morte de bebês no primeiro ano de vida em todo o mundo. Os riscos aumentam de duas a cinco vezes, segundo pesquisa realizada pelo Centro Médico do Hospital Infantil de Cincinnati, no estado de Ohio, nos Estados Unidos.

A nicotina presente no cigarro foi apontada como vilã do desenvolvimento das células cerebrais que regem a respiração, diminuindo a capacidade de o recém-nascido acordar em casos de oxigenação comprometida.

Bons hábitos começam na vida uterina

Pesquisa da Universidade do Colorado aponta que a dieta da mãe afeta o desenvolvimento cerebral do bebê e influencia seus gostos alimentares no futuro. O estudo ainda aponta que a alimentação seguida pela mãe torna-se mais atrativa à pessoa com o passar dos anos.

A pesquisa diz que isso acontece porque para o feto o que vem da mãe é seguro e essa sensação é carregada para a vida toda, como uma memória. O olfato também é alterado segundo o que a mãe come porque os odores impregnados no líquido aminiótico, que envolve o embrião, afeta o desenvolvimento do sentido.

Estilo de vida da mãe determina risco de doenças graves

Não apenas a alimentação da mãe está ligada à saúde do bebê. Durante os nove meses, o feto é afetado por emoções, estresse, nível de exercícios físicos e até pelo trabalho da gestante. Doenças como problemas cardíacos, diabetes e câncer estão sendo consideradas hoje como resultado de uma combinação de herança genética, maus hábitos e também do que ocorreu na vida intrauterina.

Segundo estudo conduzido pela Universidade de Harvard, os fetos preparam-se para enfrentar o mundo segundo o ambiente que encontram no útero. E um dos piores cenários é a privação de alimentos, nas mulheres que fazem dieta, pois os nutrientes são direcionados para os órgãos mais importantes do corpo, como o cérebro, em detrimento de outros como fígado e coração, o que pode comprometer a saúde dos mesmos no futuro.

Sal

A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo investigou a relação entre o consumo de sal pela mãe na gestação e a saúde das crianças. O resultado é que uma dieta com elevado consumo de sal durante a gestação poderá gerar indivíduos que, na idade adulta, terão hipertensão arterial. Por outro lado, se o consumo de sal durante a gravidez for baixo, o problema pode ser o desenvolvimento de resistência à insulina.

O estudo foi realizado em animais, mas chama atenção para os mecanismos epigenéticos, que não são localizados no genótipo, mas têm influência sobre as características dos indivíduos. São fatores capazes de alterar a programação do feto sem modificar a estrutura do DNA.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)