Álcool e direção: motoristas ainda insistem na combinação perigosa

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Mesmo após a criação da Lei Seca, a situação gerada pela impruência dos motoristas é preocupante.

Balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostra que, somente no Estado de Santa Catarina, das 567 pessoas que morreram vítimas do trânsito no ano passado, 39 tiveram a ingestão de álcool como causa principal. A média de motoristas presos é de 1,7 por dia.

Lançado no ano passado, o livro Uso de Bebidas Alcoólicas e Outras Drogas nas Rodovias Brasileiras e Outros Estudos, realizado pela Secretaria Nacional de Política sobre Drogas, com a participação de órgãos do governo federal e universidades, traz informações sobre a extensão do problema. De acordo com a obra, a maior incidência de motoristas alcoolizados ocorre nas sextas-feiras e sábados, após às 20h.

“As pessoas ainda não despertaram para o perigo que é ingerir bebida alcóolica e depois conduzir um veículo”, avalia o chefe de comunicação da PRF, Leandro Andrade, responsável pela análise do levantamento de infrações e acidentes de trânsito.

Para ele, alguns fatores contribuem para a persistência de acidentes desse tipo, entre eles, o fator cultural. Para a PRF, muitos motoristas agem em desacordo com a lei por acreditarem na impunidade. O sargento Flávio Cunha, do Departamento de Estatística da Polícia Militar Rodoviária diz que só a fiscalização muda o comportamento do motorista imprudente.

Nesse sentido, a Lei Seca, que foi lançada em 2008, pouco mudou a realidade do trânsito. Dois anos depois da lei, os números de ocorrências ainda preocupam. Além da necessidade de mais fiscalização, a PRF considera que a impunidade acaba gerando mais infrações.

Ricardo Sabini é dono de um bar no centro de Florianópolis, capital catarinense. Ele afirma que não costuma misturar bebida com direção. Ainda assim, em seu bar, a percepção que teve depois da Lei Seca é de que nada mudou.

“As pessoas continuam bebendo e dirigindo. Ninguém está nem aí para isso não”, afirma.

Mesmo diante das informações discutidas na mídia e anunciadas pelos órgãos governamentais, por que ainda há quem dirija sob o efeito de álcool? Para Leandro Andrade, a questão é cultural e passa pelo sentimento de que a pessoa não acredita que desgraças desse tipo podem acontecer com elas.

“O sujeito bebe e acha que pode dirigir, que os reflexos estão bons, que nada pode acontecer. Em alguns casos, as pessoas se sentem mais fortes, motivadas a dirigir de forma arriscada, como se isso fosse estimulante. É o efeito “Superman”, de acreditar que se pode fazer tudo”.

Principais dúvidas
Quanto se pode beber antes de dirigir?
Não há limite considerado seguro para dirigir após ingerir bebida alcoólica. A absorção e metabolização do álcool dependem de diversos fatores, como sexo, peso corporal e ingestão de alimentos.

Depois de beber, em quanto tempo o condutor está novamente apto a dirigir?
A metabolização de álcool pelo organismo varia de indivíduo para indivíduo. Também depende do tipo de bebida ingerida. Em geral, bebidas destiladas, por possuírem maior concentração de álcool, aceleram o processo de embriaguez e dos sintomas.

Tomar café, tomar banho frio ou estimulantes minimiza o feito do álcool?
Apesar de estimulante, o café forte não altera o estado de embriaguez. Banho frio provoca sensação de despertar apenas no instante da ducha. Pessoas embriagadas não devem ingerir remédios estimulantes.

Após beber, quanto tempo devo aguardar para dirigir?
É preciso esperar ao menos 12 horas antes de retornar ao volante.

Com informações da Polícia Rodoviária Federal
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)