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A novela da vida real

Opinião ABEAD – Boletim ABEAD
Carlos Salgado e Sabrina Presman

Aparecer em uma novela da Rede Globo é garantia de ganhar repercussão nacional. A certeza é ainda maior se o tema for ao ar no horário nobre. Foi assim que o crack saiu dos noticiários e abriu espaço no drama de Silvio de Abreu. A novela Passione contou, através do personagem de Danilo Gouveia – interpretado pelo ator Cauã Reymond –, a vida de um jovem atleta, de classe alta, que começou a utilizar anabolizantes e se viu viciado em drogas, mais um refém da dependência química.

Cumprindo com o propósito de retratar a realidade, a história de Danilo mostrou o cotidiano de milhares de jovens brasileiros que perdem tudo para o crack – família, amigos, carreira e sonhos. A Abead acredita que o choque de assistir ao belo ator mal vestido e com a barba e as unhas por fazer, um rapaz rico vivendo como um morador de rua, é totalmente educativo para a sociedade, principalmente para os adolescentes. O mais interessante, porém, é que, além de a trama mostrar os prejuízos que a substância causa ao indivíduo, ao longo dos capítulos também foram reveladas as principais formas de combater a dependência: com tratamento adequado, a cargo de especialista, aliado ao apoio da família e sessões de terapia em grupo, como o Alcoólicos Anônimos (AA) ou o Narcóticos Anônimos (NA). Essas reuniões são verdadeiras irmandades de homens e mulheres, que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem.

Dessa vez, o autor foi além. Mostrou que o envolvimento de parentes, cônjuges e amigos (todos aqueles que lidam dia a dia com o dependente) durante as reuniões de grupo é tão importante quanto a participação dos dependentes, pois eles também precisam de ajuda e orientação. É por isso que grupos como o AA e o NA abrem as portas, em dias específicos, para acolhê-los. Ainda assim, é imprescindível a realização de campanhas, discussões sobre o tema nas escolas e em casa com os familiares, de forma contínua. A teledramaturgia se comprometeu a dar início a essa discussão, mas isso se limita à ficção e tem data para acabar – a novela chegou ao fim e, com ele, a abordagem do assunto no horário nobre. É preciso um movimento amplo e um esforço em conjunto para fazer com que a vida real fique cada vez mais parecida com o final feliz das novelas.