Composição genética altera eficácia em tratamento de alcoolismo

Isaúde.net
Com riagem genética, clínicos eliminam grande parte da abordagem de tentativa e erro para prescrever remédios.

A eficácia de um tratamento experimental para o alcoolismo depende da composição genética dos indivíduos que o recebem, segundo novo estudo apoiado pelo Instituto Nacional de Abuso do Álcool e Alcoolismo (NIAAA), parte dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), nos Estados Unidos.

“Este estudo representa um marco importante na busca de tratamentos personalizados para a dependência do álcool”, disse Kenneth R. Warren, diretor em exercício do NIAAA.

Pesquisadores liderados por Bankole Johnson, professor e chefe do Departamento de Psiquiatria e Ciências Neurocomportamentais da Universidade da Virginia, em Charlottesville (EUA), realizaram um estudo controlado para determinar se o medicamento ondansetron pode reduzir o consumo de álcool em indivíduos dependentes.

O medicamento é usado atualmente para tratar náuseas e vômitos, muitas vezes depois da quimioterapia. Ele funciona bloqueando os receptores de serotonina.

O estudo atual estende o trabalho de pesquisadores anteriores sobre o papel que a serotonina desempenha sobre o sistema cerebral no abuso do álcool. O neurtrasmissor intermedia muitos processos no cérebro, incluindo os efeitos de recompensa do álcool.

O grupo do doutor Johnson revelou que variações no gene que codifica o transportador de serotonina, uma proteína que regula a concentração do hormônio entre as células nervosas, podem influenciar significativamente a intensidade de consumo.

Especificamente, as variantes transportadoras de serotonina designam como LL e TT têm sido associados a problemas com a bebida. Os pesquisadores também informaram que o ondansetron pode ser uma terapia eficaz para algumas pessoas com alcoolismo.

Neste estudo, o doutor Johnson e seus colegas realizaram análises genéticas para determinar que variantes do gene transportador de serotonina foram realizadas por cada sujeito, em seguida, distribuídos aleatoriamente a cada um regimes de tratamento com ondansetrona ou placebo.

Os pesquisadores descobriram que, para indivíduos com o genótipo LL, aqueles que receberam o ondansetron reduziram o número médio de doses diárias em menos de cinco anos, enquanto aqueles que receberam placebo continuaram a tomar cinco doses ou mais por dia.

Os efeitos do ondansetron foram ainda mais pronunciados entre os indivíduos que possuíam ambas as variantes do gene LL e TT, enquanto indivíduos que não tinham a variante LL não apresentaram melhora com o medicamento.

“Por ser capaz de fazer a triagem genética, os clínicos podem eliminar uma grande parte da abordagem de tentativa e erro para prescrever um remédio”, disse doutor Johnson. “A medicina personalizada nos permite prever a melhor opção de tratamento”.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)