Alunos discutem sobre redução de danos

InfoNet
O encontro foi realizado na sede da Escola Técnica do Sistema Único de Saúde de Sergipe e orientado pelo supervisor do curso, Marcos Manso.

Os alunos da Escola Estadual de Redutores de Danos se reuniram para compartilhar experiências realizadas com usuários de Crack e outras drogas em Sergipe. O encontro foi realizado na sede da Escola Técnica do Sistema Único de Saúde de Sergipe (ETUS/SE), nesta terça-feira, 25, no centro de Aracaju, e orientado pelo supervisor do curso, Marcos Manso.

Implementadas pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), através da Fundação Estadual de Saúde (Funesa), as atividades da Escola de Redutores de Danos tiveram início em dezembro de 2010, reunindo diversas pessoas das comunidades de algumas cidades consideradas prioritárias em Sergipe.

Estas pessoas estão passando por um processo de qualificação para adquirir condições de abordar pessoas usuárias drogas e álcool, com maior enfoque no Crack.

“A Escola Estadual de Redutores de Danos na verdade é uma escola que pretende formar gente de prevenção para trabalhar na área de drogas, com pessoas que usam drogas e por algum motivo não conseguem parar de usar. Essa redução de danos entra aí como uma estratégia para fazer com que eles se cuidem de outros problemas que o uso da droga pode causar”, explica o coordenador da Escola Estadual de Redução de Danos, José Augusto de Oliveira.

Segundo ele, todo o procedimento com os usuários de drogas são trabalhados em campo. “Essa é uma proposta nova e não se trata de tratamento às drogas. Trata o usuário de droga de uma forma diferente, ensinando cidadania, incentivando que os próprios tenham cuidado com o uso da droga de forma abusiva para a sua saúde”, informa o coordenador.

Incentivo

José Augusto diz que o trabalho de redução de danos é um debate que já vem acontecendo há muitos anos, sendo que a aceitação do método já está sendo melhorado a cada dia. “O próprio Ministério da Saúde e outros órgãos que tratam da saúde estão incentivando, recomendando e até financiando essas estratégias e essas estratégias. A própria população já entende um pouco e entenderá muito mais sobre a redução de danos”, ressalta o coordenador José Augusto.

Há 16 anos trabalhando na área de prevenção e tratamento de usuários de drogas, Anderson Pereira dos Santos, 33, afirma que logo de início não acolheu totalmente as propostas da redução de danos. Ele comenta que a prevenção e o tratamento eram muito mais eficazes.

“Mas participando da escola percebi que tem aqueles que aderem ao tratamento e querem deixar droga e tem aqueles mais resistentes. Esses vão ficar a mercê da dependência? Então comecei a entender que o redutor de dano se preocupa justamente com a saúde destas pessoas”, relata.

Dos 12 aos 16 anos, Anderson também foi usuário de drogas, mas acabou deixando o vício após ajuda de várias pessoas e muita força de vontade em mudar de vida. Ele diz que projetos como os Redutores de Danos tendem a ajudar consideravelmente as famílias que tem seus filhos envolvidos com drogas.

“Essa será uma ferramenta a mais na expectativa de diminuir o uso da droga e os males que ela causa e quem tem a ganhar é a sociedade sergipana”, aposta Anderson, que hoje é estudante de Serviço Social e trabalha engajado em entidades que cuidam de usuários de Crack e outras drogas.

Para o coordenador Escola Estadual de Redução de Danos, José Andrade, a escola vai ajudar a população entender que o redutor de danos não é apenas uma estratégia, mas sim uma formação. “A gente não entra pra combater ou criticar os usuários de drogas, mas viemos com a intenção de ser um agente de prevenção e de ajudar essas nos cuidados com a saúde”, conclui.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)