A fácil entrada para o alcoolismo

Jornal de Uberaba
Noite e madrugada dos sábados, várias pessoas se aglomeram nas mesas de bares e nas boates.

Sentados em volta de uma mesa ou dançando ao som de baladas e DJs, moças e rapazes entre 18 e 40 anos, em média, se divertem e consomem bebida alcoólica abusivamente. São copos e copos de cerveja, whisky, caipirinhas, etc. Outra situação frequente na vida dos brasileiro é o churrasco de fim de semana, momento em que a família e os amigos se reúnem para confraternizar e tomar uma cerveja. Mas o que as duas situações têm em comum? Ambas são regadas à bebida alcoólica. De acordo com estatísticas da Organização Mundial de Saúde, o alcoolismo é a segunda doença que mais mata no mundo; uma em cada oito pessoas que bebem, ou seja 12% da população mundial, é atingida pela doença. A linha que separa uma pessoa que bebe socialmente de uma alcoólatra e muito tênue. Conforme explica os psicólogos especialistas em dependências químicas, as pessoas que consomem álcool apenas em festas e reuniões de amigos, podem ser consideradas consumidoras esporádicas. O dependente de álcool é aquele indivíduo que bebe sem conseguir parar, não só para sentir prazer, mas sim, para abrandar os sintomas de abstinência e estresse. No entanto, isso não quer dizer que o bebedor de fim de semana não pode se tornar um dependente do álcool, explica o especialista. Segundo ainda os especialistas, o alcoolismo é uma doença progressiva e incurável, podendo levar a pessoa que faz uso constante do álcool à loucura, ou até mesmo à morte prematura. Uma das principais causas da dependência alcoólica é a pré-disposição física, que aliada a obsessão mental pela bebida, instala-se na pessoa até dominá-la por completo. Isso acontece independentemente de sexo, idade, raça ou posição socioeconômica. Dados divulgados por órgãos ligados a Organização Mundial da Saúde revelam que o consumo excessivo e conflitante de bebidas alcoólicas está presente como causa em 60% dos acidentes fatais de trânsito, 54% dos acidentes de trabalho, 50% das internações e 75% das reinternações em hospitais psiquiátricos, 80% dos crimes envolvendo violência e 90% dos crimes contra mulheres e crianças. Além disso, o comportamento dos dependentes alcoólicos podem provocar desajustes, angústias, privações e sofrimento a todos que os cercam. O alcoólatra costuma negar que tem algum tipo de problema. Ao contrário ele vê o álcool como algo que alivia a tensão e lhe dá coragem . Em geral, quando a pessoa encara que está doente e busca tratamento é porque já teve muitas perdas, comentam os especialistas. Mesmo não sendo de imediato,um dos tratamentos mais procurados são os grupos de ajuda mútua, que apresentam os maiores índices de recuperação de dependentes do álcool.Os efeitos diretos e indiretos do consumo de álcool no organismo afetam os sistemas nervoso central, cardiovascular, gastrointestinal, respiratório e endócrino. Segundo os médicos especialistas, os alcoólatras podem sofrer de perda de coordenação motora, infarto, câncer de cabeça e pescoço, pneumonia, anemia, derrame, convulsões, hipertensão, hepatite e cirrose entre outras enfermidades. Segundo ainda os especialistas em dependências químicas, chama a atenção para o fato de o grupo familiar ser de fundamental importância na formação e recuperação de uma pessoa que se envereda no vício do álcool. Os adolescentes têm apresentado um padrão de beber excessivo e frequente. Vale ressaltar que a média de idade do primeiro contato de crianças com o álcool é entre 12,5 e 12,8 anos, segundo dados do Centro Brasileiro sobre Drogas e Psicotrópicas. O costume de beber ou não também é fortemente influenciado pelos familiares, podendo a família tornar-se fator de risco ou de proteção, segundo os especialistas.

Paulo Nogueira é Jornalista- Membro da Associação Brasileira de Jornalismo Científico – jornalistapn@netsite.com.br
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)