Drogas causam transtornos à saúde da gestante e do bebê

Jornal de Uberaba
O uso de entorpecentes por gestantes vem crescendo de forma assustadora e trazendo transtornos à saúde do bebê.

A pediatra Érika Milhorim explica que dificilmente uma mãe assume que é dependente de drogas e somente quem convive diariamente nos hospitais consegue detectar a alteração de comportamento ou através de exames laboratoriais que são apresentados antes do parto. “De 2% a 10% das gestantes fazem uso de algum tipo de droga durante a gestação que traz problemas para o feto”, conta.

A pediatra acrescenta que dependendo da quantidade que as mulheres usam durante o período gestacional pode ocasionar até o aborto, em virtude da agressividade do produto ao organismo. “Os bebês destas mães também podem nascer prematuros com baixo peso, malformação física ou problemas mentais por falta de oxigenação. Essas crianças são propensas a estarem infectadas por causa do comportamento de risco das mães, que está associada à forma do uso das drogas”, explica.

Como especialista ressalto que dias seguintes ao parto essas crianças são extremamente irritadas. Elas têm dificuldade para amamentação, e podem sofrem com problemas intestinais, vômitos, ataques cardíacos, metabolismo acelerado. “No caso do crack, ele pode circular no leite materno até dois dias após a gestante ter feito uso do entorpecente. Então, quando diagnosticamos que a gestante fez uso da droga recente ao trabalho de parto, uma das nossas medidas é afastar a criança da mãe até três dias para que a criança não receba os efeitos agudos do crack”, revela.

A pediatra declara, porém, que esse tipo de procedimento prejudica o vínculo entre mãe e filho, a sucção da criança durante o aleitamento e o bebê pode apresentar hipoglicemia. “A irritabilidade, sudoreses e ataque cardíaco nos recém-nascidos são indícios que demonstram a falta da droga que recebia durante o período gestacional. As drogas que mais nos preocupa são a cocaína e o crack, que podem ter os efeitos mais nocivos às crianças. Isto justifica, por exemplo, o fato de elas terem mais dificuldades de aprendizagem no futuro. Em alguns casos é tão grave, que a criança precisa ser medicada para controlar os sintomas”, cita.

As consequências dessas drogas são tão acentuadas nos organismos, que as mães geralmente têm mais dificuldades no parto e isso causa problemas respiratórios nos bebês. “As crianças que nascem com falta de oxigenação no parto apresentaram problemas respiratórios desde o início da vida. Juntando outros fatores relacionados a dependência da cocaína e crack faz com que a saúde da criança seja mais debilitada das demais”, conclui.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)