Centro de atendimento a dependentes químicos será inaugurado este mês

Araraquara.com
O primeiro Centro de Atendimento Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps-AD) de Araraquara, unidade de tratamento de dependentes químicos com ênfase em drogas, será inaugurado ainda este mês.

O projeto é desenvolvido com recursos do Governo Federal e tem como principal característica atender as pessoas em situação de drogadição sem afastá-la do núcleo familiar.

O CAPS-AD funcionará em uma casa localizada na Avenida Sete de Setembro, no Centro, alugada pela Prefeitura. Apesar de ser um projeto ligado às Secretarias Municipais de Assistência e Desenvolvimento Social e de Saúde, terá a colaboração das Secretarias de Educação, Esporte, Segurança e Cultura na realização de atividades socioeducativas, cursos e outras orientações aos dependentes químicos e suas famílias, que vivem uma condição de codependência e, na maioria das vezes, estão desestruturadas.

“Sem o suporte e o envolvimento das Secretarias e, principalmente da família não tem como trabalhar a recuperação da drogadição”, ressalta o secretário de Assistência Social, José Carlos Porsani. De acordo com o secretário, nos últimos anos a cidade observou o crescimento do número de usuários, queda na faixa etária dos dependentes e aumento no número de reincidência nas internações.

E isto tem um custo para o município. Com uma verba de apenas R$ 100 mil anuais, o secretário tem que subsidiar as internações, parcial ou totalmente, ao custo médio de R$ 20 mil ao mês. “Mas, em fevereiro, estamos contando com um custo de R$ 30 mil, o que comprova o crescimento do número de dependentes”, lamenta o secretário.

Relação familiar

Com base nestes dados, o secretário ressalta a importância de um centro de atendimento como o Caps-AD. “Nosso maior problema é a família, que também se encontra em estado vulnerável. Muitos pais estão sem trabalho e as mães se prostituem. O que mais notamos é a falta do pai, pois a mãe sempre protege o filho, mesmo ele estando errado”, atesta José Carlos Porsani.

Em uma avaliação entre 600 jovens em situação de risco, 98% deles declararam não ter o pai em casa. “Faz parte de nosso trabalho chamar o pai para ajudar no tratamento, dialogando com o filho. Isto faz uma enorme diferença”, acredita o secretário.

Uma das exigências do Caps-AD é que a família do dependente químico passe a frequentar a ONG Amor Exigente, onde aprenderá a lidar com o problema de forma consciente e entenderá todas as mudanças no comportamento do atendimento. “Quando o dependente chega à situação em que já está vendendo até as portas de casa, é hora de trabalhar a família, que fica doente também”, exemplifica o secretário.

Além de atender usuários de drogas, o Caps-AD também irá tratar os dependentes de álcool, que já são contemplados, embora em um sistema diferente, no Hospital Cairbar Schutell.

Cidade não tem tratamento gratuito

Atualmente, o tratamento gratuito de usuários de drogas e álcool feito pelo município é realizado com verba do Sistema Único de Saúde (SUS) e os dependentes são enviados para a cidade de São José do Rio Preto, já que Araraquara não tem clínicas de tratamento públicas. Ao todo, a cidade tem oito entidades particulares de tratamento. Estes locais têm parceria com as Secretarias Municipais de Assistência e Desenvolvimento Social e de Saúde.

Com a inauguração do Caps-AD, o poder público espera diminuir o número de pessoas em tratamento e aplicar mais verba em prevenção. Os Caps-AD são implantados somente em cidades com mais de 200 mil habitantes e prevê a criação de uma rede que articula leitos para internação em hospitais destinados à desintoxicação e outros tratamentos.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)