Quando a família faz toda a diferença no tratamento

Diário de São Paulo
Estudo da Secretaria de Estado da Saúde mostra que o apoio de parentes no processo de desintoxicação de dependente químico é eficaz. Em 8% dos casos observados, onde não houve incentivo, o doente teve recaída e um processo de recuperação mais difícil.

O ator Cauã Reymond foi escolhido pelo novelista Silvio de Abreu para viver um dependente químico na novela “Passione”. O personagem Danilo chegou ao fundo do poço por causa do crack. Mas, graças ao irmão e ao apoio consistente da família, ele se internou em uma clínica de reabilitação e conseguiu chegar ao final da novela curado. Um levantamento feito pela Clínica de Reabilitação Mental do Hospital Estadual de Taipas, unidade da Secretaria de Estado da Saúde, em São Paulo, aponta que a presença da família é fundamental para a recuperação de dependentes de álcool e outras drogas.

“Durante o tratamento, cuidamos também da família, convidando-a para assistir às nossas palestras. A família sofre tanto quanto o doente”, diz Madalena de Fátima Marques, assistente social da Clínica de Reabilitação Mental do hospital. A equipe de atendimento ao dependente químico é composta por psiquiatra, psicólogo, assistente social, enfermeira, terapeuta ocupacional e profissionais de apoio. Durante os encontros com a família, que primeiro acontecem em grupo e depois individualmente, a pergunta mais comum é se alcoolismo é doença. “Todo mundo que chega aqui quer saber se alcoolismo é doença ou se o paciente é sem-vergonha, para aproveitar uma expressão bastante usada”, diz.

Dos casos analisados entre maio de 2009 e maio de 2010, 92% contaram com o apoio de familiares durante a internação. Entretanto, os 8% que não obtiveram acompanhamento apresentaram histórico de rompimento de vínculo familiar e de empobrecimento do convívio social, acarretando dificuldade ao tratamento. Do total de pacientes atendidos, 35,7% são dependentes de álcool, 7,8% de cocaína e 57,7% de múltiplas drogas.

Segundo Vera Lúcia Gomes, psiquiatra do serviço, os dependentes de álcool são os mais suscetíveis a recaídas. “Às vezes, ao ver o paciente em melhor estado, a própria família o estimula a tomar bebida alcoólica durante encontros sociais”, explica a especialista. “Esse é um gesto equivocado”.

A Clínica de Reabilitação Mental do Hospital Geral de Taipas presta atendimento aos pacientes encaminhados pelos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) dos municípios de São Paulo e região metropolitana. A média de permanência na instituição é de 28 dias, sendo que existem apenas 16 leitos à disposição da população.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)