Pesquisas sobre maconha viram armas no debate sobre legalização

Folha de São Paulo
Quando um estudo sobre maconha é publicado, só há uma certeza: suas conclusões levarão pancada até que sirvam de argumento a favor ou contra a legalização da substância.

O novo estudo vai se unir aos trabalhos publicados nos últimos anos e adotados pelos que querem atacar a cânabis.

A lista é longa: maconha eleva o risco de o sujeito desenvolver de perda de memória a depressão.

Após levar esses estudos na cabeça, os defensores da maconha reagem com a sua infantaria: pesquisas que mostram benefícios da erva contra dor crônica, ansiedade etc.

Não é raro que as mesmas equipes publiquem um “paper” com gosto de “legalize já” em um dia e outro com jeito de “erva do demônio” pouco depois.

Nesta Folha, em 2010, dois grupos com posições opostas sobre a legalização trocaram artigos se acusando. A questão é que ambos defendiam pontos de vista citando a mesma referência: as conclusões da equipe de Robin Room, da Universidade de Melbourne, publicadas em 2008. Ele revisou estudos sobre o tema, a maioria divulgada após 2000.

Como a década passada trouxe muitos trabalhos nessa linha, a guerra de artigos ganhou combustível.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)