Tabagismo prejudica o tratamento do lúpus e da artrite reumatóide

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Estudos incentivam médicos a recomendarem com vigor que pacientes parem de fumar.

O tabagismo é apontado, atualmente, como uma doença crônica gerada pela dependência da nicotina, estando por isso inserido na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde (OMS). Os fumantes correm um risco muito maior do que os não-fumantes de adoecer por câncer e outras doenças crônicas.

Três estudos recentes mostram ainda ligações entre o tabagismo e um tratamento menos eficaz da artrite reumatóide, bem como uma maior atividade do lúpus, adicionando itens à lista aparentemente interminável de riscos à saúde relacionados ao ato de fumar.

A artrite reumatóide é uma doença crônica que causa dor, rigidez, inchaço e limitação dos movimentos e da função de múltiplas articulações. Segundo o reumatologista Sérgio Bontempi Lanzotti, diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares, pesquisas anteriores já haviam demonstrado que o tabagismo é um fator de risco para o aparecimento da artrite reumatóide, mas nestas o foco foi o papel do cigarro no desenvolvimento da doença e na resposta ao seu tratamento.

– A importância deste estudo é o fato de que o tabagismo e o estilo de vida foram analisados, antes do início da doença, confirmando que o ato de fumar é um fator de risco para artrite reumatóide, além de fornecer informações adicionais sobre o impacto do tabagismo sobre os mecanismos de desencadeamento da doença – diz Lanzotti.

Analisando o ato de fumar, os pesquisadores descobriram ainda que o tabagismo está associado com a não-resposta para o tratamento da doença com o uso de metotrexato e de terapia anti-TNF.

Tabagismo e lúpus

Outro estudo concluiu como o tabagismo pode estar associado com a maior atividade do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), bem como a maiores danos aos órgãos de pessoas com a doença.

O lúpus é uma doença inflamatória crônica que pode afetar a pele, as articulações, os rins, os pulmões, o sistema nervoso e outros órgãos do corpo.

– Os sintomas mais comuns incluem erupções na pele e o aparecimento de artrite, freqüentemente acompanhada de fadiga e febre. A doença acomete principalmente mulheres, entre vinte e trinta anos, em idade fértil – afirma o reumatologista.

Segundo a pesquisa apontada por Lanzotti, os fumantes que apresentaram mais atividade da doença possuem mais edemas e dores em mais de duas articulações, bem como uma menor resposta imunológica. Além disso, entre os fumantes, mais pacientes apresentam problemas de pele irreversíveis relacionados ao lúpus.

– O estudo incentiva reumatologistas a recomendarem com vigor que os pacientes lúpicos parem de fumar – alerta o médico.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)