Consumo de maconha e início precoce de psicose: meta análise

A maconha é a droga ilícita mais produzida, traficada e consumida em todo o planeta, e numa escala de drogas mais consumidas, vem logo após o álcool, o tabaco, e os solventes (entre os adolescentes). O uso da substância ainda é considerado polêmico, muito embora a relação entre a experimentação e o surgimento da dependência e os sintomas de abstinência da maconha, já tenham sido bastante estudados. Em função dos vários estudos realizados há pouca dúvida sobre a existência de uma associação entre o uso desta substância e o surgimento de quadros psicóticos, sendo que, estudos evidenciam que, quanto mais precoce é o início do consumo na vida, maior a chance do aparecimento deste tipo de transtorno. Estudos recentes, excluindo os fatores confundidores, concluíram que o uso de maconha aumenta “significativamente” a incidência de sintomas psicóticos, mesmo quando o uso de outras drogas e determinadas condições psiquiátricas fazem parte do mesmo contexto.

Large e col. (2011) realizaram uma meta-análise revisando estudos que na língua inglesa que tinham como objetivo estabelecer algum tipo de relação entre o uso de maconha, álcool e outras drogas, e a idade de início dos primeiros sintomas psicóticos. Utilizando-se de bases de dados como: CINAHL, EMBASE, MEDLINE, PsycINFO e ISI Web of Science, foram localizados 443 artigos, dos quais 83 estudos (relatados em 89 artigos) preencheram os critérios de inclusão. Os estudos levaram em conta a idade do início da psicose em estudos de populações com doença psicótica, a exceção de psicose induzida por uso de droga, em grupos com ambas as situações: uso e não uso de substância. Os resultados da meta-análise fornecem evidências de uma relação entre o consumo de maconha e início mais precoce da doença psicótica, e sustentam a hipótese de que a maconha tenha um papel causal no desenvolvimento de psicose em alguns pacientes. O uso de álcool e tabaco foi analisado, não evidenciando correlação com o surgimento de quadros psicóticos.

Estes resultados confirmam a necessidade de mais pesquisas em neurobiologia para detectar os mecanismos pelos quais o uso de maconha se torna um gatilho para o surgimento da psicose. Este estudo fornece evidências de que a redução do uso de maconha pode retardar ou mesmo evitar o aparecimento destes quadros, alterando o curso desta doença, que sabemos quanto mais cedo se inicia, pior o prognóstico. Tornam-se necessárias, portanto, mais pesquisas que aprofundem o conhecimento sobre os efeitos potencialmente prejudiciais do uso de maconha.

Comentado por: Neide Zanelatto – UNIAD-UNIFESP – neidezanelatto@gmail.com
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas