Homens representam 92% dos usuários de crack

O Diário.com
De janeiro a dezembro de 2010, 3.125 usuários de crack buscaram ajuda na rede pública de saúde de Maringá.

Os homens são a maioria e as mulheres representam 8% dos atendimentos. Os pedidos de socorro foram feitos nos hospitais Psiquiátrico e Municipal e nos Centros de Atendimento Psicossocial de Álcool e Drogas (Caps/AD).

Os números fazem parte dos relatórios mensais da Diretoria de Programas Sobre Drogas da Prefeitura de Maringá. Em média, 240 homens e 21 mulheres buscaram atendimento a cada mês, em 2010. O relatório de janeiro de 2011 traz uma pequena redução com 166 homens e 15 mulheres atrás de tratamento.

Mas a diminuição não é significativa dentro das constatações de quem trabalha diretamente com os usuários. “Não temos como negar um crescimento muito acentuado do crack. É uma droga muito potente, avassaladora, que causa uma dependência quase que imediata”, afirma a coordenadora do CAPS/AD de Maringá, Angela Maria Nogueira.

Segundo ela, o crack é a droga principal de muitos usuários, mas quem passa a ser dependente desta substância, normalmente também consome outros entorpecentes como a maconha, a cocaína e o álcool. “Nos primeiros anos de funcionamento tínhamos uma clientela mais alcoolista, mas agora há uma mistura muito grande de drogas. O crack é a principal, mas não é a única droga consumida. Quando não acham o crack, os usuários consomem o que tiver “, diz.

Angela destaca ainda que “é inegável o crescimento do consumo de substâncias psicoativas na sociedade em geral”. No entanto, apenas uma pequena parcela da população tem buscado ajuda. “Só 5% dos usuários estão procurando o tratamento. A grande maioria ainda acha que não é dependente”, diz.

A coordenadora do CAPS/AD faz outro alerta a respeito das drogas, principalmente em relação ao crack. “É um problema de saúde pública, que afeta todos as classes sociais e que também não distingue faixa etária. Aqui já prestamos atendimento a crianças de 10 a 12 anos e até mesmo a idosos.”

O primeiro relatório detalhado de atendimentos prestados mês a mês foi feito em 2010, o que ainda impede um comparativo estatístico. No entanto, os números vão ajudar a nortear as ações de combate às drogas.

Perfil

O maior número de solicitações de tratamento em 2010 foi registrado em outubro. Neste mês, o perfil dos usuários atendidos mostrou uma maioria de homens, de classe baixa, solteiros, católicos, com idades entre 25 e 29 anos e residentes nas cidades de Maringá, Paiçandu e Sarandi.

O mesmo relatório mostra um alto índice de regressos e que a maioria usa a droga em períodos médios de 3 a 5 anos. Entre as mulheres, o perfil dos atendimentos de outubro aponta a maior incidência na faixa etária entre 15 e 19 anos. São mulheres que, apesar de jovens, já têm filhos e têm um comportamento sexual propenso a parceiros ocasionais. “Ao receber o tratamento, elas tentam reencontrar um ex-companheiro ou o filho”, afirma Angela.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)