Em debate regras rígidas contra fumo

Correio do Povo
Até o final do mês, Anvisa está com duas consultas públicas sobre cigarro.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) promove até o final de março duas consultas públicas sobre o fumo.
Uma das medidas se refere à proibição de aditivos aos cigarros, como aromatizantes e açúcares, e a outra estabelece regras mais rigídas para o material de publicidade. Se as consultas públicas ocorrerem, a Anvisa irá discutir com as empresas e os segmentos envolvidos como será a aplicação das normas.

Reforçando as duas consultas, a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead) realiza campanha de divulgação. A ideia é ampliar o debate sobre o assunto. Segundo a especialista em tabagismo da Abead Sabrina Presman, as duas consultas públicas têm como finalidade afastar os jovens do cigarro e reduzir o número de fumantes no país.

Ela explicou que as medidas são importantes para diminuir o número de óbitos em decorrência do tabaco no Brasil. Anualmente, cerca de 200 mil pessoas morrem devido às doenças relacionadas ao fumo, o que representa 548 por dia.

“As consultas tocam em dois pontos importantes da estratégia de marketing das empresas do setor, que são os jovens e a divulgação. Com a aprovação, será possível reduzir a presença do fumo”, afirmou ela. Pesquisa da associação mostra que 90% dos fumantes começaram a consumir cigarros antes dos 19 anos. Segundo a especialista, o sabor é um forte atrativo aos jovens quando começam a experimentar o cigarro. “O sabor disfarça o gosto do fumo, deixando-o mais atrativo”, afirmou Sabrina.

Rigor maior na questão de divulgação sobre o cigarro também colaboraria para reduzir o número de novos fumantes. “Se você tem um produto estampado em todos os lugares, com campanhas tentadoras, os consumidores ficam muito mais interessados. Afastando da mídia, menor será o interesse”, constatou Sabrina Presman.

No RS, a Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembleia solicitou a suspensão das consultas. A preocupação é em relação aos reflexos que a aplicação das medidas provocará na economia. A questão afeta diretamente o Estado, por ser um dos líderes na produção de fumo. Se aprovadas, as medidas poderão provocar prejuízos à cadeia produtiva do fumo, com aumento do desemprego e do contrabando do produto.
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas