Olhar diferente inova falar sobre drogas

Jornal da Cidade de Bauru
A professora Cláudia Regina Andreotti, da Escola Estadual João Batista Ribeiro que atende alunos da área central e demais bairros de Agudos, acredita que o tema drogas sempre foi abordado nas escolas, mas dessa vez a forma é diferente.

“O olhar é diferente. Não foi passado ao aluno as informações. Quem trouxe as informações foram eles. Só ouvimos. A partir disso é gerado o plano de ação”.

A família é o ponto-chave da questão pelas avaliações de Cláudia. Foi observado que o aluno com lar desestruturado tem mais chance de seguir o caminho das drogas. E isso independe da situação financeira. A droga atinge do pobre, à classe média e mais ricos.

A curiosidade e o grupo de amigos influenciam o primeiro contato com a droga. Pelo menos essa impressão se verifica, de acordo com a professora Cláudia. O estudante tem consciência dos efeitos negativos da droga.

“Eles sabem que a droga prejudica a saúde, mas a princípio experimentam por curiosidade. Isso foi bastante citado nas pesquisas. O grupo de amigos resolve convidar e, se o jovem tem a curiosidade, acabada experimentando. Há os que experimentam e não gostam da sensação obtida e não continua. A curiosidade é que leva o consumo”, conta a professora.

A educadora destaca também que o projeto não visa convencê-los, mas demonstrar qual é o melhor caminho para não entrar no mundo das drogas.

Maria Teresa de Moraes Leme, coordenadora da Escola de Ensino Fundamental (Emef) Professor Manoel Gonçalves, composta de 700 alunos, relata que uma das ações interessantes foi desenvolvida no período da Copa no ano passado. O tema foi “Craque dribla crack”. Através desse projeto foi montado teatro e show de talentos, com paródias sobre drogas e importância de o aluno não consumir droga. “Recebemos grupo de teatro de fora. Isso incentiva a criança a não usar droga. O teatro choca. Eles assistiram e trabalharam em todas as disciplinas os temas.”

Na opinião da coordenadora houve engajamento, principalmente por ser escola de bairro periférico. “No local havia vários casos de irmãos e pais envolvidos com droga. Muitos alegavam a estrutura da família: separação, alcoolismo, pais presos.”

O tema despertou tanto interesse que os alunos pesquisavam traziam documentário em pen drive para serem impressos na escola. “Eles se empenharam bastante. Chamou muito atenção: acho que a longo prazo vai ter bom resultado. Já estamos tendo resultados: eles estão nos procurando para procurar internação e caminhos para abandonar as drogas.”
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)