Alcoolismo: Vícios podem ser curados

A Tribuna
Alcoólicos Anônimos fazem trabalho independente com reuniões regulares para grupos.

Por certo você já se deparou com esta sigla: AA. Para quem ainda não sabe, ela significa Alcoólicos Anônimos, uma associação da maior importância que cuida da recuperação de dependentes químicos e de alcoolismo. Com reuniões regulares onde se relatam experiências e são discutidos os “12 passos” sugeridos para recuperação e as “12 tradições” sugeridas para as relações dentro da irmandade e com a comunidade de fora, os interessados se mantêm na sobriedade e conquistam uma nova vida.

Um dos mais velhos “irmãos” do AA, com 31 anos de frequência, se diz totalmente recuperado e feliz. “Quem tem o problema não quer reconhecer, mas quando você começa a perder tudo em volta, a necessidade faz a diferença”, disse o senhor, que foi poupado do nome na matéria para não ser reconhecido.

Ele também relatou sua experiência, do quanto foi sofrido o período em que bebia. “A gente acha que tudo está normal, sem tristeza, mas é porque escondemos os problemas na bebida. E eu gostava de pinga mesmo. Vivia embriagado. Fui casado a primeira vez durante 13 anos, me separei e tive mais três mulheres e todas me abandonaram por causa da bebida”, afirmou.

O senhor também informou que chegou a ficar internado por 40 dias em um sanatório de Piracicaba e conseguiu permanecer nove meses sem o vício. “Mas com as recaídas acabava tomando o primeiro gole e depois o segundo e aí vai. Cheguei ao fundo do poço. Internei-me novamente na Santa Casa por quatro dias. Foi então que meu pai e minha irmã resolveram me ajudar. E aí conheci o AA e desde o primeiro dia que frequentei a associação estou na sobriedade!”, garantiu.

Um outro paciente em recuperação está há 11 anos em sobriedade. “Depois de ir ao fundo do poço, e não só com bebidas, mas também com as drogas, perdendo tudo sem conquistar nada, vi a necessidade de me ajudar. Minha família, graças a Deus, me auxiliou muito e hoje é o orgulho da minha vida”, ressaltou. “Durante todo o período que permaneci no vício não acreditava que um dia iria sair dele. Internei-me numa clínica particular e pedi a Deus para me transformar. Hoje acho que não sou merecedor de tudo que consegui, pois sofri e fiz minha família sofrer muito”, continuou.

“As reuniões no AA devem ser respeitadas e quem nos procura precisa entender que a frequência é a única saída, pois uma vez alcoólatra sempre alcoólatra. Esse é meu ponto de vista. E me culpo pelos 26 anos que bebi”, falou um dos coordenadores do grupo do AA.

E as famílias dos dependentes também têm ajuda. Na coordenação do grupo Al-anon Perseverança é informado que a família também fica doente, já que o vício é considerado doença por eles. “Temos que tratar as mulheres, os pais, os filhos, as esposas e maridos, amigos e tantos outros para ajudar no que for possível dentro de casa. Não dá pra ficar com mais de um doente em casa não é mesmo?”, indagou a coordenação.

“Nossa missão é trabalhar como uma terapia de grupo, sem saber nome, endereço. Somente nos ajudar. Quem é coadjuvante do problema também é importante, pois eles precisam conduzir bem a serenidade e a sanidade dentro de casa”, finalizaram.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)