Grávida fumante, perigo constante

Gazeta Digital
A gestação é um momento importante na vida de uma mulher.

A gestação é um momento importante na vida de uma mulher, a cada semana o feto vai se desenvolvendo e lentamente os órgãos vitais se formam. Para algumas grávidas esse período é mágico e surpreendente, mas para outras é uma luta entre o vício e o amor ao filho que vai nascer.

Uma fumante tem uma gravidez mais instável que a maioria das mulheres. A preocupação com a saúde do bebê é dividida com um impulso constante e tóxico de fumar. Um único cigarro é capaz de acelerar os batimentos cardíacos do bebê em poucos minutos e provoca abortos espontâneos, mortes fetais e de recém-nascidos.

O Brasil tem quase 25 milhões de fumantes, destes, de cada oito, três são mulheres. Segundo o Ministério da Saúde, o cigarro mata por ano no país mais de 200 mil pessoas, das quais 20 mil são fumantes passivos. O cigarro possui 4.720 substâncias tóxicas, entre elas o formol, utilizado na conservação de cadáveres, alcatrão, veneno para matar ratos e metais pesados como chumbo e cádmio.

Todo esse veneno entra como uma bomba no feto que ainda nem se desenvolveu direito, tirando o oxigênio, contaminando o sangue e tornando o desenvolvimento normal um processo mais complicado para esses fumantes sem opção, que sem resistência assimilam o melhor e o pior de sua mãe.

Na teoria, mulheres grávidas não devem fumar. Mas a realidade de muitas mulheres se resume a diminuir os cigarros fumados e no máximo ficar alguns dias sem fumar. Os sintomas da abstinência diminuem a resistência ao vício de muitos anos. A longo prazo, o cigarro diminui a capacidade respiratória e aumenta o risco de problemas alérgicos e cardíacos, além de câncer de pulmão e boca, o que na gravidez pode trazer sérios danos ao feto.

Um dos problemas para manter a abstinência é a falta de informação de muitos médicos. Um levantamento feito pelo pediatra João Paulo Lotufo, responsável pelo Programa Antitabágico do Hospital Universitário da USP, apontou que em 30% dos casos o médico não orientou como as mulheres deveriam parar de fumar. Lotufo também constatou, em uma pesquisa feita com 250 pediatras, que nenhum dos pesquisados sabia dizer quais os medicamentos disponíveis para esse tipo de paciente.

Falta de informação e estresse pela abstinência dificultam o abandono do vício das grávidas fumantes. No fórum virtual do site De Mãe para Mãe, das doze mulheres que responderam à pergunta de uma mãe que não conseguia parar de fumar durante a gravidez, sete alegaram que o estresse e a ansiedade causados pela abstinência tornaram o vício impossível de ser superado. As outras cinco mães afirmaram terem parado de fumar durante a gravidez mesmo com os problemas que a falta do vício traz.

Entre os problemas na gravidez causados pelo cigarro estão o menor peso e nascimento prematuro dos bebês,o que aumenta as chances de morte do recém nascido. Para o obstetra Danilo Zanirato, os danos ao feto e à mãe são graves. “Na gestação, o corpo da mulher está mais vulnerável à produtos agressores e o cigarro diminui a circulação de oxigênio, fazendo com que os bebês nasçam de 250 a 300 gramas menores, além de afetar ainda mais nesse período a saúde da mulher”, explica.

A opção por diminuir o número de cigarros não é válida. “Recomendamos que as futuras mães não fumem nada, em hipótese alguma. Desde o começo da gravidez, é importante que a mulher pare de fumar para que o bebê não seja prejudicado”, enfatiza Zanirato.

O obstetra explica ainda que não adianta somente parar de fumar. Esse é o primeiro passo, mas não o único. “Para compensar as toxinas no corpo, largar o cigarro deve ser acompanhado de atividades físicas leves, como uma caminhada de meia hora e alimentação balanceada, com muitas frutas e verduras”.

Ainda não há pesquisas sobre o tema, mas muitas crianças de mães fumantes nasceram com má-formação, o que reforça a suspeita de mais um dos malefícios do cigarro. “Em muitos casos, o cigarro pode causar danos vasculares durante a gravidez, aborto espontâneo, sangramentos, descolamento da placenta, partos prematuros e muitos outros problemas”.

O bebê fuma junto com a mãe, absorvendo as toxinas através da placenta. A nicotina também diminui o apetite do feto, impedindo um total aproveitamento dos alimentos provocando a subnutrição. E se após a gestação a mulher volta a fumar, as substâncias nocivas do cigarro são transmitidas para o filho através do leite materno.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)