Profissionais da saúde são capacitados para combater o tabagismo

Jornal de Araxá
Pesquisa de âmbito nacional revela que índice de fumantes no Brasil vem caindo gradativamente ao longo dos últimos dez anos.

A diretoria de Promoção à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES), por meio do Núcleo de Prevenção Primária do Câncer/Tabagismo, em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (INCA) e o Ministério da Saúde, realizou na quarta e quinta-feira, respectivamente dias 30 e 31 de março, um trabalho de mobilização e capacitação dos profissionais de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), denominado “Abordagem Intensiva ao Fumante”, que faz parte da Política Nacional do Controle do Tabagismo.

Com programação abrangente, incluindo assuntos como alimentação saudável e combate ao tabagismo, atividade física e o tabagismo, e a implantação do Programa de Controle do Tabagismo em Unidades de Saúde, a capacitação teve como objetivo formar multiplicadores sobre o tema e instrumentalizar os profissionais de saúde, cujos municípios presentes programaram a estimativa de insumos em 2011 para oferecer o tratamento ao fumante na rede credenciada ao SUS.

Para a responsável técnica pelo Núcleo de Tabagismo da SES, Estela de Cássia Pereira , o objetivo principal é “formar multiplicadores capazes de desenvolver um plano de ação para o controle no município, proporcionando ambiente livre do tabaco e a cessação do fumo”, enfatizou. Estela ainda apresentou ao público, no primeiro dia do evento, a logística da implantação do Programa de Controle do Tabagismo em Unidades de Saúde e falou sobre os principais problemas enfrentados no combate ao tabagismo.

“Abordamos junto aos profissionais de saúde a importância de eliminar a poluição tabagística ambiental das unidades de saúde, para reduzir a prevalência de fumantes nas mesmas. Além disso, por se tratar da implantação de um programa que visa manter ambientes livres do tabaco, explicamos como será feita a estratégia”, afirma.

A estratégia consiste em montar uma comissão executiva na unidade para acompanhar as ações do controle do tabagismo, desde a restrição do tabaco nas unidades de forma integral à implantação de métodos de mobilização, como cartazes e folders informativos, através das ações de promoção e apoio à cessação de fumar, e regulação dos produtos de tabaco através de ações educativas que mobilizam políticas, ações legislativas e econômicas.

Para Haroldo José de Almeida, médico que atende a uma Unidade básica de Saúde do município de Grupiara, é importante instruir os profissionais de saúde sobre como lidar com o fumante. “Este projeto era muito esperado por todos nós, principalmente por quem está no interior. É muito importante nos capacitarmos para sabermos enfrentar este problema, principalmente conduzir o lado psicológico do paciente que tem o interesse de parar de fumar. O cigarro é o vício mais difícil de largar”.

O Ministério da Saúde divulgou, em 2010, o resultado de uma pesquisa feita pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), em parceria com o Núcleo de Pesquisa em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP), em que foi apontada a diminuição do percentual de fumantes no Brasil. Concluiu-se que de 2006 a 2009, o percentual caiu de 16,2% para 15,5%. Essa queda é a confirmação de uma tendência dos últimos vinte anos: em 1989, o índice dos que fumavam era de 33%.

Segundo o médico Daniel Moreira Pinto, coordenador regional do Programa de Educação Permanente da SES no município de Ladainha, a oficina foi útil e eficaz. “Assim, fica mais fácil identificarmos os meios que podemos usar para dar suporte à pessoa que deseja parar de fumar. Algo que me chamou muito a atenção foi o uso das metodologias específicas para as ações em grupo”.

A Abordagem Intensiva ao Fumante (tratamento aos fumantes) encontra-se entre as ações do Controle do Tabagismo. Para que esta seja implantada nos municípios, o Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente material para ser utilizado nas capacitações e a medicação utilizada no tratamento aos fumantes, a qual deve ser estimada anualmente pelos municípios.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)