O melhor remédio é parar de fumar

Rede Bom Dia
Nesta sexta, Dia Mundial do Combate ao Câncer de Pulmão, alerta insiste na importância de abandonar o tabagismo.

O fumante tem quatro vezes mais chances de desenvolver o câncer de pulmão, uma das doenças que mais assustam os brasileiros. Nesta sexta, no Dia Mundial de Combate à enfermidade, o alerta dos especialistas insiste na luta contra o tabagismo também responsável pelo desencadeamento de outras moléstias.

Para 2011, a estimativa do Inca (Instituto Nacional do Câncer) é de que ocorram 27.630 casos de câncer de pulmão em todo o país. Os homens são os mais afetados: 17.800 pessoas. Em 2008 foram registradas 20.485 mortes em decorrência da doença, dos quais 13.050 homens e 7.435 mulheres.

Apesar do desfavorecimento dos homens, já há um crescimento do número de mulheres vítimas da doença, aponta a oncologista clínica Letícia Nader, do CHS (Conjunto Hospitalar de Sorocaba).

“A incidência tem aumentado muito nas mulheres. Antigamente o tabagismo era mais comum entre os homens, mas agora as mulheres têm fumado mais”, afirma.

Segundo a médica, o câncer de pulmão pode ser considerado um dos piores pelo alto índice de mortalidade e pelo risco de reincidência. Mesmo em casos em que houve a extirpação com intervenção cirúrgica, é comum a reincidência, aponta a especialista.

Apesar de toda sua agressividade, ele não é o de maior incidência. Entre as mulheres, diz Letícia, os dois tipos de câncer mais comum são o de mama e de colo do útero; já entre os homens, o de próstata é de o maior registro.

Sobrevivência
Largar de fumar é a primeira recomendação médica para evitar o câncer de pulmão. E mesmo longe do vício, não há garantias de que o ex-fumante está livre de desenvolver a doença.

Uma pesquisa especial do Inca sobre tabagismo, de 2010, mostrou que em 20 anos houve queda de 45% no número de fumantes no país. Em 1989, 33% dos brasileiros maiores de 18 anos fumavam e esta proporção caiu para 18%.

Em compensação, o mesmo estudo mostra que as mulheres estão começando a fumar mais cedo do que os homens, o que tem ampliado as chances de câncer de pulmão no sexo feminino. A proporção de mulheres que começa a fumar antes dos 15 anos é 22% maior do que a dos homens.

Por se tratar de uma doença silenciosa, o câncer de pulmão muitas vezes é identificado por acaso. Cirurgia e quimioterapia fazem parte do tratamento.

Poder de destruição
A fumaça do cigarro contém cerca de 4.700 substâncias. Dessas, 60 são consideradas cancerígenas. Depois de uma tragada, uma parte dos elementos tóxicos é absorvida pelas mucosas da boca e da garganta (o que eleva a probabilidade de tumores nesses locais), enquanto a outra é despejada nos pulmões.

Após uma queda, a descoberta
Uma queda em 2009, com uma forte batida na costela, foi fundamental para que o aposentado Gustavo Henrique de Campos, 68 anos, descobrisse que estava com câncer no pulmão.

Uma radiografia para verificar a dor nas costas identificou o nódulo retirado após uma cirurgia juntamente com metade do pulmão direito. “Não desejo para ninguém todo o sofrimento que tive”, afirma, contando que chegou a ser desenganado pelos médicos. Eram dois nódulos do lado direito e mais um do lado esquerdo; este último desapareceu com os efeitos da quimioterapia.

Gustavo descobriu a doença 11 anos após parar de fumar. Mas o estrago já tinha sido feito em seu organismo, começando com um infarto em 1992.

Ele conta que começou a fumar aos 16 anos. Fumava em grande quantidade e durante todo o dia. Hoje ele se considera uma vítima do cigarro e faz questão de contar sua história como incentivo a quem deseja abandonar o vício. “Toda vez que tenho a oportunidade, conto todo meu sofrimento para ver se a pessoa desiste de fumar”, diz. “Hoje eu abomino o cigarro”, completa.

Não é fácil
A funcionária pública Tania Araújo, 58 anos, fuma desde os 13 e já pensou muitas vezes em parar. Em 1992, após uma cirurgia cardíaca, ela ficou longe do cigarro por três meses, mas teve recaída assim que voltou ao trabalho.

Com tosse, fadiga, falta de ar e várias crises que já a levaram ao hospital, Tânia vive o drama de tentar abandonar o tabagismo, sem resultados. “Os filhos pegam no pé, toda a família, mas é difícil. Acho que falta vontade”, admite.

Como é comum, para ela o cigarro também serve de muleta contra o estresse no trabalho, onde convive com crianças e adolescentes. Segundo ela, o uso do cigarro lhe traz alívio, mesmo sabendo que ele também lhe rouba a saúde.

Tânia chegou a apelar para os céus, fazendo promessas para largar o tabagismo, mas também não conseguiu cumprir. “Sei que há riscos de câncer de pulmão, boca. Sou consciente de tudo isso, mas é muito difícil”.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)