Congresso sobre saúde mental debate mídia e políticas públicas

Folha do Mate
Além de abordar aspectos como o tratamento de pacientes mentais e seu atendimento em hospitais gerais ou especializados, o II Congresso Gaúcho Multidisciplinar garantiu reflexões sobre assuntos como a influência da mídia na dependência química e o papel das políticas pública na prevenção.

Promovido pelo Hospital São Sebastião Mártir (HSSM), o evento que estimulou debate sobre ´Saúde Mental: novos olhares e perspectivas sobre a dependência´ se encerrou no sábado, 9. A avaliação geral deve ocorrer nesta semana. Entretanto, a comissão organizadora comemora as atividades e garante que o objetivo central da programação – desmistificar o assunto – foi atingido.

Na manhã de sábado, o psiquiatra Carlos Salgado e o enfermeiro Marcos Hirata Soares reforçaram a ideia proposta pelo tema do congresso: repensar a dependência. Enquanto Soares abordou a influência da propaganda e das matérias jornalísticas no consumo de álcool, cigarro e drogas, Salgado defendeu a necessidade da mobilização social para a prevenir e articulação de políticas públicas. “Temos que atuar nos dois pontos ao mesmo tempo: prevenção e atenção ao usuário.”

Conforme Salgado, é fácil pensar em assistência, no entanto, projetos preventivos e de formação, para usuários e familiares, são essenciais. Ele afirmou que, para um município enfrentar a dependência química, é preciso formar uma rede de ação. Paralelos à prevenção e à assistência, devem ocorrer a repressão do tráfico e programas de reinserção social. Aliás, a população têm papel importante, até mesmo antes desses mecanismos estarem ativos. De acordo com Salgado, as políticas públicas são formuladas a partir de manifestações populares que pressionam o governo.

Marcos Hirata Soares destacou o poder da mídia sobre dependência. O enfermeiro lembrou que propagandas de drogas lícitas, como cigarro e álcool, são vinculadas à beleza, liberdade, sensualidade e poder. Seu caráter de drogas não fica explícito. Para ele, a situação de agrava pois a televisão é um meio de lazer gratuito e seguro, na opinião de parte das famílias. Porém, na verdade, pode estimular o envolvimento com as substâncias, se não houver orientação adequada no lar.

Soares afirmou que o incentivo ao consumo não é o único aspecto que precisa ser revisto. Ele apontou que menos de 6% de matérias são explicativas e apenas 7,2% contém informações sobre serviços e locais para buscar ajuda. Argumentou, inclusive, que na maioria dos casos, quando se trata de notícias policiais, a designação do infrator como dependente químico reforça o preconceito. Por isso, rever a maneira de tratar do assunto e mostrá-lo à sociedade se torna um dever da mídia.

AVALIAÇÃO

Rever conceitos sobre a saúde mental e a dependência, foi um dos principais objetivos da comissão científica do HSSM, para o congresso. Conforme o presidente do grupo, Gerson Ulsenheimer, será realizada nesta semana o balanço oficial do evento. Porém, ele afirma que as avaliações dos palestrantes e do público foram bastante positivas. A técnica de enfermagem Marilene Marli da Rosa Freitas, 49 anos, é uma das participantes que acompanhou os dois dias de atividades e aprovou a programação. Moradora de Canoas, ela participou pela segunda vez do evento venâncio-airense.

Para Marilene foi interessante refletir sobre a prevenção do envolvimento com drogas e a dependência química. Após assistir a diferentes abordagens sobre a saúde mental, concluiu que a prevenção começa na formação do indivíduo. Cerca de 150 integrantes do congresso também conheceram a experiência do hospital de Venâncio no tratamento psiquiátrico e de dependentes. Intervenções com os Doutores P, Geison Aquino, Eliane Turcatto e Júlio Nascimento, e sessão de cinema com o filme ´A idade da pedra´, da Cia Afro-Cena, incrementaram o evento.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)