Terapia em adolescentes pode evitar dependência química

Paceientes Online
Fatores como traumas, baixa autoestima, problemas familiares, questões amorosas e influência dos amigos são algumas das causas que têm levado jovens à dependência química.

Para a psicoterapeuta Sandra Lanza Panazzo, o acompanhamento de um profissional e o apoio da família são fundamentais no trabalho de prevenção ou no resgate do adolescente. A dependência química exibe sinais claros na rotina diária do dependente, fazendo com que, de uma hora para outra, o jovem altere seu comportamento. Entre os sinais estão: isolamento e conflitos com a família, falta de apetite e desmotivação para o trabalho e o estudo.

Cheiro forte de solventes, boca seca, olhos vermelhos, alteração brusca de humor estão entre as características da dependência química.

A pesquisa da Universidade Federal de São Paulo, realizada com familiares de dependentes químicos, revelou que a pressão do ambiente, a influência de amigos e a baixa autoestima contribuem para que os jovens comecem a utilizar drogas. Entre as substâncias mais consumidas pelos jovens estão: álcool (50,2%), tabaco (14,1%) e drogas ilícitas (11,6%).

Ainda de acordo com o estudo, em mais de 70% dos casos, os problemas ultrapassam o núcleo familiar, afetando também parentes próximos e amigos. Muitas vezes, a família não sabe lidar com a situação.

Para a psicoterapeuta. essa é uma tarefa difícil que requer cuidados especiais. “O mais importante é a preservação do relacionamento, com uma atenção especial para que o dependente não se sinta discriminado dentro de sua própria casa. Recomenda-se o apoio e a orientação de um profissional para direcionar as ações, de acordo com o grau de dependência do usuário”, informa.

Segundo Sandra, a transição entre o ensino médio e a universidade pode tornar os jovens mais vulneráveis à utilização de drogas. “A independência financeira, moral e intelectual, além de trazer sentimentos positivos de liberdade e capacidade de julgamento, pode propiciar uma avaliação distorcida, natural do processo de amadurecimento psíquico. Essa fase, aliada à ansiedade de uma sociedade altamente competitiva, com a qual vivemos atualmente, leva o jovem a uma maior suscetibilidade ao uso dessas substâncias”, explica. Outros fatores contribuem para facilidade ao acesso e ao forte crescimento do consumo de drogas legais ou ilegais nos dias atuais, como o avanço da tecnologia e a velocidade da informação fortalecida pela ‘febre’ das redes sociais.

De acordo com a psicoterapeuta, quando a família descobre que um de seus filhos tornou-se dependente, todas as suas referências internas são questionadas. “Os pais tentam encontrar em que momento erraram na educação dos filhos. Com isso, todas as crenças e valores, que foram aplicados durante a vida, perdem temporariamente a credibilidade. Essa perda acaba interferindo na rotina dos demais membros da família, que, de certa forma, são dominados pelos sentimentos de angústia, preocupação e medo”, reforça.

“A terapia e suas metodologias específicas vêm ajudar a quebrar o padrão de comportamento repetitivo de destruição que acomete essas pessoas. Também busca trabalhar o ser humano na sua totalidade. Em alguns casos, dependendo da gravidade do problema, é necessária a intervenção de um psiquiatra que trate a doença com a inclusão de medicamentos”, complementa.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)