Associação desenvolve programa de tratamento contra o fumo

Diário do Vale
As doenças decorrentes do cigarro – como bronquite crônica, enfisema, câncer de pulmão, pneumonia de repetição e sinusite – incentivaram a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPTi) a desenvolver um programa de tratamento contra o vício que está sendo usado em todo o país, inclusive no curso de Medicina do Centro Universitário de Volta Redonda (Unifoa).

Ele vem sendo utilizado na Policlínica Dr. André Sarmento Bianco, no campus da instituição em Três Poços, direcionado para quem deseja largar o hábito.

De acordo com o professor e médico pneumologista Jaime Veras, a forma de lidar com o fumante mudou muito atualmente.

– Antes o fumante tinha medo do médico, mas hoje tentamos trazê-lo para o nosso lado, encaminhando-o para um tratamento que pode livrá-lo do vício. Nosso programa começou em 2009 e é feito pelo SUS (Sistema Único de Saúde), sem custo algum e com duração de três meses, podendo durar mais dependendo das circunstâncias – explica.

O paciente passa por três estágios durante o tratamento. No primeiro, ele passa a conhecer o seu problema e são explicadas todas as consequências que o fumo traz. Também é avaliada a aceitação por parte do paciente da sua condição e a orientação quanto ao não uso de café, refrigerantes com cafeína e chá preto, que estimulam o tabagismo.

No segundo estágio há a reposição nicotínica através de adesivos ou chicletes de nicotina, que ajudam a abandonar o fumo. O último passo é o medicamentoso e psicológico, quando o paciente recebe indicações de antidepressivos para que consiga deixar de vez o fumo.

Para o médico, a maior dificuldade enfrentada pelo fumante é a aderência ao tratamento, pois cerca de 20% dos pacientes voltam a fumar depois do período e retornam para uma nova tentativa.

– Existem vários fatores que incentivam o fumante, como a depressão e os estímulos da sociedade e da mídia, mas normalmente o tabagismo é fruto de problemas pessoais. Não existe ex-fumante; ele pode voltar a fumar a qualquer hora, daí a importância de se usar antidepressivos – explicou.

Fumantes que largaram o vício elogiam o tratamento

Para a auxiliar administrativa Carmen Lúcia, de 55 anos, o tratamento, no início, pareceu ser longo e difícil, mas ao final acabou se mostrando não tão complicado.

– Resolvi fazer o tratamento porque achei que havia chegado a hora de largar o cigarro, pensando na minha saúde e idade. Depois que fiquei sabendo deste tratamento fiz uma avaliação e iniciei o trabalho em outubro do ano passado, e agora que terminei não quero mais saber de cigarros. Iniciei com o tabagismo há trinta anos e sempre fumei um maço por dia, nunca pensando em parar porque gostava e achava prazeroso. O cigarro sempre fez parte da minha vida mas sempre acreditei ter um certo controle, pois não fumei nas duas vezes que engravidei, resolvendo parar por conta própria – disse.

Carmen disse que o que mais chamou sua atenção foi o diálogo do médico com os pacientes.

– Eu queria parar, e consegui quando procurei ajuda. O cigarro não incomodava somente os outros, eu não me sentia bem. Encarei parar de fumar como um desafio – destacou.

Outra paciente que também se submeteu ao tratamento foi Elaine Georgina do Santos. Ela – que descobriu o tratamento durante uma consulta – ficou muito feliz com o que encontrou.

– Pessoas na minha família que fumavam tiveram problemas de saúde e isso me motivou a parar de fumar. Não foi a primeira vez [que tentei parar], mas nunca havia conseguido – afirmou.

O atendimento na policlínica acontece às segundas, quartas, quintas e sextas-feiras, e o atendimento é aberto à toda comunidade.

Sem o mesmo charme

Fumar já não é mais sinônimo de charme e elegância como sugeriam as propagandas de alguns anos atrás, onde sempre apareciam representações de homens saudáveis e mulheres bonitas e charmosas – sempre bem vestidos ou em carros importados e locais exóticos, dando uma falsa impressão de sucesso. Além de prejudicar a saúde, o vício ao cigarro é uma das dependências que mais afetam a humanidade e causam vítimas.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo é hoje a maior causa de mortes evitáveis no mundo. Isso fez com que os médicos fossem mudando a sua visão do fumo com o passar dos anos: se antes era considerado pelos especialistas apenas como um hábito ou vício, hoje a realidade é outra – trata-se mesmo de uma doença.

De acordo com Jaime Veras, o tabagismo alcança 18,8% dos brasileiros (dados do Instituto Nacional do Câncer). E este número assusta por causa da grande quantidade de complicações que o fumo traz à saúde de quem é dependente.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)