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Sabor leva mais jovens à dependência

Diário do Grande ABC
“Adolescente sempre quer chamar a atenção de alguma forma, não é? Por isso comecei a fumar com o grupo de amigos.” A frase da estudante Bruna de Carvalho Cury, 22 anos, é comum à maioria dos fumantes.

Segundo o Inca (Instituo Nacional de Câncer), 90% dos fumantes começam antes de completar 19 anos.

Porém, Bruna segue uma nova tendência: a dos jovens que começam a fumar cigarro de sabor, para depois passar para o cigarro comum.

Prova disso é o levantamento da Anvisa (Associação Nacional de Vigilância Sanitária) que mostra que o número de marcas de cigarro de sabor dobrou nos últimos três anos. Além disso, o Inca aponta que 45% dos adolescentes entre 13 e 15 anos que fumam se utilizam desse tipo de cigarro.

Para o pneumologista e coordenador do Ambulatório de Combate ao Tabagismo da Faculdade de Medicina do ABC Adriano Guazzelli, a estratégia da indústria do tabaco é de atrair o jovem para que ele se torne dependente. “Para atingir os adolescentes, eles (a indústria do tabaco) disfarçam o sabor e tornam o cigarro mais agradável”, avaliou.

Guazelli disse que, por ser mais suscetível, o jovem sempre foi o alvo dos produtores de cigarro. Outra estratégia, mais presente nas últimas décadas, é a de relacionar o cigarro à beleza por meio de peças publicitárias.

Bruna seguiu o caminho natural e, um ano depois, começou a utilizar o cigarro comum. Atualmente, fuma seis cigarros por dia. Porém, não se arrepende. “Sei que muitos adolescentes têm essa curiosidade. São coisas que acontecem. O cigarro é um grande companheiro para mim e para muita gente.”

O radialista Leandro Giudici, 25, não tinha a curiosidade pelo fumo quando adolescente. Porém, há um ano, começou a fumar cigarro no sabor cravo. “Achei muito saboroso e comecei a fumar,” Porém, cinco meses depois, o gosto já se tornou enjoativo, e Giudici partiu para o cigarro convencional. Por dia, o radialista fuma um cigarro, mas não se considera dependente. “Fumo para tirar o estresse”, afirmou.

Guazzelli disse ser a favor da proibição de circulação dos cigarros de sabor. “É uma questão de saúde pública. Como toda a substância que contém tabaco, esses cigarros são prejudiciais às pessoas”, declarou.

O médico disse que o Ambulatório de Combate ao Tabagismo da Faculdade de Medicina do ABC realiza entre 20 a 30 atendimentos por mês. Porém, os jovens não procuram ajuda. “Quem quer parar mesmo o faz após os 40 anos ou se tem algum problema de saúde em decorrência do cigarro.”

O servidor público Ricardo Zancopé, 30, é exceção. Há 13 anos, ele fuma cigarros de menta e de cravo.

“Já fumei cigarro normal em algumas oportunidades, mas não gostei”, relatou.

Zancopé contou que fuma de um a dois cigarros diariamente. O servidor público disse que, como fuma pouco, não sente que isso prejudica sua saúde.

Número de fumantes tem queda no País, aponta estudo

Pesquisa do governo federal, feita pelo Ministério da Saúde, apontou que entre 2006 e 2010 o número de fumantes no Brasil caiu de 16,2% para 15,1%.

Na comparação com a PNSN (Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a diferença é ainda maior, já que o número de fumantes naquela época era de 34,8%.

Segundo o levantamento, os homens lideram o número de fumantes no País, com 17,9%, contra 12,7% das mulheres. O relatório revela também que as pessoas menos escolarizadas, que têm até oito anos de estudo, fumam mais (18,2%) do que as mais escolarizadas, que têm 12 anos ou mais de estudo (10,2%).

A OMS (Organização Mundial de Saúde) apontou que 4,9 milhões de pessoas morrem por ano no mundo em decorrência do cigarro, o que corresponde a mais de 10 mil mortes todos os dias.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)