Maior risco de morte súbita infantil em gestantes fumantes

Expresso MT
Os malefícios do tabagismo são bem conhecidos. Uma revisão de estudos explica porque o tabagismo na gestação aumenta o risco de morte súbita do recém-nascido.

Ninguém duvida dos malefícios do cigarro. Mas nem sempre os mecanismos de dano associados ao tabagismo são completamente explicados. Ou seja, como a nicotina e outros componentes do cigarro causam lesões ou mau funcionamento dos órgãos e sistemas. Pois bem, mais um destes mecanismos, felizmente, está sendo desvendado. E envolve um problema pouco comum, mas muito sério: a síndrome da morte súbita infantil.

A síndrome acomete recém-nascidos e tem sido associada ao modo de colocar o bebê para dormir, infecção do trato aéreo superior, práticas do aleitamento e mesmo ao tabagismo. Já se sabe que este risco é de 2 a 5 vezes maior nos bebês de mães que fumam na gravidez, na comparação com as mães não fumantes. Uma revisão recente de estudos sobre a Síndrome procurou entender melhor o efeito do cigarro, durante a gestação e após o parto, no sistema respiratório das crianças. Para os autores, o efeito da nicotina sobre o controle respiratório dos bebês poderia explicar a ligação entre o fumo nesta época e a síndrome da morte súbita infantil. Eles revisaram estudos em humanos e animais. Um fato importante é que existe uma associação bem documentada entre tabagismo na gravidez e prematuridade, que é por si só um fator de risco para a Síndrome. Mas, além disso, eles observaram que os recém-nascidos de mães fumantes apresentavam uma diminuição significativa na resposta aos eventos obstrutivos e subseqüente baixa de oxigenação. Tudo isso causando maior dificuldade de autoresuscitação.

Para eles, a nicotina é apontada como a principal culpada nestas alterações do controle respiratório. De fato, estudos em animais confirmaram uma associação entre a exposição pré-natal da nicotina e interferência neste processo de autoresuscitação. A mensagem é clara. Gestantes fumantes devem parar de fumar antes mesmo do bebê nascer.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)