Médicos divergem sobre redução de danos

Folha de São Paulo
A política de redução de danos que está por trás da lei dos bebedouros divide opiniões até entre os médicos.

De um lado estão os que acreditam que minimizar os danos do álcool e das drogas pode estimular o uso.

De outro, os que admitem manter o indivíduo em um risco menor, já que há casos em que o uso é inevitável.

O médico do Hospital Nove de Julho, José Luiz Capalbo, concorda que a ingestão de água diminui a de álcool.

“Mas não é confortável dizer: “se beber, tome água”. É melhor orientar a não beber e a não usar drogas”, acredita.

Para ele, a medida dos bebedouros tem de vir acompanhada de campanhas educativas para os jovens.

O Hospital Nove de Julho, próximo à rua Augusta (centro), atende de quatro a oito pessoas em coma alcoólico -com risco de morte- e “incontáveis” casos de desidratação causados por abusos todo mês, segundo Capalbo.

Já para o psiquiatra e presidente da Abead (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas), Carlos Salgado, a medida de dar água “pode ser considerada um recurso protetor e, portanto, de redução de danos”.

“A água atenua a agressão tanto do álcool quanto do ecstasy e protege o indivíduo que tenta dançar até a exaustão ao longo de várias horas”, diz.

De acordo com o site inglês ecstasy.org, a cidade de Manchester, na Inglaterra, foi pioneira na implantação de uma lei para obrigar clubes a darem água de graça a seus frequentadores, em 1992.

PRIMEIROS-SOCORROS

O decreto municipal assinado por Gilberto Kassab em dezembro prevê, além dos bebedouros, que locais com mais de 500 pessoas tenham sala equipada e profissionais treinados para prestar os primeiros-socorros.

Entre as casas que comportam mais de 500 pessoas visitadas pela Folha, apenas a D-Edge afirmou cumprir a exigência do decreto.
Segundo a assessoria da D-Edge, o local tem sala com maca e equipamentos e conta com os serviços de dois bombeiros que ficam na balada a noite toda.

O Glória e o Cabaret não se manifestaram sobre os primeiros-socorros.

A jornalista Camila Cutrim, 25, que vai a clubes como o Glória e The Week, aprovou a ideia da lei, mas afirmou que disse que “só usaria bebedouros limpos e com copinhos”, como manda a regulamentação.

Os bebedouros, segundo ela, podem ajudar em casos de urgência. “Meu amigo passou mal uma vez e eu tinha que ser rápida, mas até pegar a fila e comprar água no bar, acabei demorando muito”, lembra.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)