Vereadores de MT entram na luta contra a nova droga Oxi, pior que o Crack

Expresso MT
Duas característias da droga ajudam a explicar por que ela se espalha pelo país.

A primeira é seu potencial alucinógeno. Assim como o crack, o oxi pode estimular em um usuário o dobro da euforia provocada pela cocaína. A segunda razão é seu preço que é menor que o do crack. “Essas pessoas precisam de apoio e a campanha “Oxi Nem Pensar” representa uma oportunidade de combatermos essa nova droga”, disse, Toninho do Gloria. O vereador de Antonio José de Oliveira (TONINHO DO GLORIA) líder da bancada do (PV) protocolou projeto de lei que visa a realização da campanha contra o OXI em Várzea Grande. O projeto definiu algumas ações por parte do legislativo na luta contra esta nova droga, que já assola o país.

Na década de 1980, distante dos grandes centros brasileiros, o estado do Acre convive com a destruição produzida pelo oxi, uma mistura de pasta-base de cocaína, querosene e cal virgem mais devastadora do que o temível crack. A droga, vendida no formato de pedra, ao valor médio de 2 reais a unidade, vem se popularizando na região Norte e, agora, espalha sua chaga pelas cidades do Centro-Oeste e Sudeste. “Ela já chegou ao Piauí, à Paraíba, ao Maranhão, a Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro e a cidade de Várzea Grande faz parte deste contexto”, falou o vereador autor da matéria,Toninho do Gloria, que completou: “toda a iniciativa contra essa droga OXI, por si só, já é vitoriosa”, exclamou.

O vereador definiu agosto como o mês de combate ao oxi. “Neste mês os funcionários da Câmara vestirão camisas da campanha, além de realizarmos palestras, pedágio de conscientização e distribuição de materiais da campanha”, adianta o parlamentar. Os vereadores também irão participar diretamente da campanha. Durante as sessões e outras solenidades realizadas em agosto, os edis deverão dar preferência a camiseta da campanha.

Além da Câmara de Vereadores de Várzea Grande, do portal Todos Contra a Pedofilia MT e a ONG MT contra a pedofilia, outras entidades da sociedade civil devem fazer parte da campanha contra o OXI em Várzea Grande. “Nós estamos convidando outras entidades organizadas. Mas já temos a confirmação da UNIVAB (União das Associações de Moradores de Várzea Grande)”, informou Toninho do Gloria.

O presidente da UNIVAB, Ferrinho, disse que a entidade será parceira nesta iniciativa. “Na próxima reunião isso irá para pauta de discussão, mas com certeza seremos parceiros, inclusive contribuindo com idéias para que a campanha produza um efeito maior”, disse.

Para a suplente de vereadora, professora Eucaris (DEM), esta é uma iniciativa pioneira entre as câmaras municipais do país,deve ser louvada na sociedade. “Os vereadores, na condição de agentes públicos representativos da sociedade devem trabalhar para buscar a solução para este, que é um problema muito sério, e está é uma bela iniciativa”, afirma a vereadora.
Estrutura familiar:

Toninho destacou a necessidade de a família fazer parte deste processo. “tem que ser feito um trabalho de orientação, principalmente na família. Através das escolas poderemos atacar a raiz do problema”, falou Toninho, que ainda alertou: Ao menos duas característias da droga ajudam a explicar por que ela se espalha pelo país. A primeira é seu potencial alucinógeno. Assim como o crack, o oxi pode estimular em um usuário o dobro da euforia provocada pela cocaína. A segunda razão é seu preço. “O crack não é uma droga cara, mas o oxi é ainda mais barato”, diz Philip Ribeiro, especialista em dependência química do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). “Quando surge uma droga mais poderosa, mais barata e fácil de produzir, a tendência é que ela se dissemine”, diz Ronaldo Laranjeira, psiquiatra da Univesidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Isso ocorre especialmente porque não se criou no Brasil até agora um sistema eficaz de tratamento de dependentes.”

O lado mais assustador do oxi talvez seja a carência de dados sobre seu alcance no território brasileiro. Quem se debruça sobre o assunto, avalia que a droga atinge todas as classes sociais. “Não há um perfil estabelecido de usuário: ela é usado tanto pelos estratos mais pobres quanto pelos mais ricos da população”, diz Ana Cecília Marques, psiquiatra da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Outras Drogas (Abead).

Também faltam estudos científicos sobre sua ação sobre o ser humano. Por ora, sabe-se que, por causa da composição mais “suja”, formada por elementos químicos agressivos, ela afeta o organismo mais rapidamente. A única pesquisa conhecida sobre a droga – conduzida por Álvaro Mendes, da Associação Brasileira de Redução de Danos, em parceria com o Ministério da Saúde – acompanhou cem pacientes que fumavam oxi. E chegou a uma terrível constatação: “a droga matou um terço dos usuários no prazo de um ano.é um epidemia e as pessoas que forem fazer esta campanha tem que dar o exemplo”, disse Toninho do Gloria.

O professor Sandro Soares também vê com bons olhos a iniciativa. “É um pontinho, um começo para a solução deste novo grande problema. Se aliado a outras políticas, principalmente de educação e de programas de fortalecimento da estrutura familiar, pode ser um caminho para a solução do problema”, disse.

Toninho, ainda demonstrou a gravidade do problema das drogas na sociedade. “Precisamos criar uma nova geração. Com educação integral, fazendo as crianças ficarem na escola e com a família reestruturada poderemos caminhar para a solução do problema”, concluiu.

Toninho comentou que é preciso investir na força coletiva para combater aquilo que qualificou como “epidemia do oxi”: “Muitas vezes quando nos deparamos com um dependente químico parece que não existe solução para esse problema, mas isso tem saída sim. Essas pessoas precisam de apoio e a campanha “Oxi Nem Pensar” representa uma oportunidade de combatermos essa nova droga”,disse, Toninho do Gloria.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)