Oxi, qual a dela?

Diário do Grande ABC
Tem se falado muito sobre uma nova droga chamada oxi. Na verdade, a substância não é tão nova assim – há cinco anos, no mínimo, foi identificada entre Acre e Amazonas, na fronteira com Bolívia e Colômbia.

Nos últimos meses, foi parar na Cracolândia, região central de São Paulo. Dizem ser mais perigosa e mais barata do que o crack, mas não há confirmações oficiais sobre os efeitos. Acredita-se que possa ser variação da merla, outra droga mais grosseira que a cocaína

O fato é que, como todas as outras, também vicia e detona (muito!) o organismo. Não é à toa: a matéria-prima é pasta de coca (produzida com folhas secas de Erythroxylum coca, cultivado na Bolívia, Peru, Colômbia, entre outros) misturada com cal, derivados de querosene e água de bateria – daí vem a palavra oxi, de oxidante. A diferença é que no crack usa-se bicarbonato de sódio e amoníaco. Visualmente as duas são parecidas e têm a forma de pedras claras.

Assim como o crack, o oxi vicia já nas primeiras vezes em que é consumido. A droga inalada por meio de cachimbo improvisado (feito, em geral, de lata de refrigerante) passa pelo pulmão e chega ao cérebro em segundos.

Acelera o metabolismo, causando sensações de euforia, depressão, medo e paranoia. O efeito passa rápido, fazendo com que o usuário queira mais. Pela alta toxicidade, causa dificuldades para respirar e endurecimento do pulmão, além de outras complicações.

NÃO DÁ NEM PARA PROVAR

“O crack é o fundo do poço; o oxi consegue ser ainda mais degradante”, afirma o psicólogo e coronel Edson Ferrarini, dono de centro de recuperação de dependentes de drogas há 39 anos. De acordo com o ele, se o viciado descobre uma susbtância mais barata, vai atrás. “Quando está nessa fase não usa mais por prazer, mas por necessidade química.”

O problema é que a droga não mexe apenas na área que proporciona prazer, mas altera outras partes do cérebro. “Pode ativar genes da dependência. Não dá para saber quem vai se viciar”, explica Ronaldo Laranjeira, professor especialista em dependência química da Unifesp.

O vício pode sim começar com o uso de álcool, cigarro e maconha. “É normal ser curioso na adolescência, mas não pode se ferrar para o resto da vida. É preciso ter responsabilidade”, afirma Ferrarini. Também é preciso ser forte para dizer sempre não. “Influência de pais e amigos, tipo de formação, valores culturais e até desvios psicológicos podem facilitar a entrada no mundo das drogas”, alerta Laranjeira. Na dúvida, é melhor nem experimentar.

VINHO QUÍMICO

Assim como o oxi é feito com substâncias que deixam a droga mais barata, foi produzido um vinho químico vendido a R$ 5 o litro durante a Virada Cultural Paulistana, em abril. A droga contém 96% de etanol (o mesmo usado como combustível) e 4% de pigmento e doçura similar à groselha. Imagine o que isso tudo não faz no organismo!

A FAVORITA DA BALADA

Além de álcool, cigarro e maconha, drogas como ecstasy são facilmente encontradas nas baladas. Ingerida na forma de comprimido, provoca euforia por até dez horas. Age no cérebro aumentando a concentração de duas substâncias – a dopamina, que alivia as dores, e a serotonina, ligada a sensações de prazer. O usuário sente incontrolável vontade de falar e ter contato físico, por isso é chamada de Pílula do Amor. Ainda provoca alucinações.

Entre as consequências estão náusea, coceira, câimbra, contrações oculares e do maxilar, depressão, dor de cabeça, visão turva, movimentos descontrolados de braços e pernas, insônia. Ainda aumenta a temperatura do corpo, provocando febre de até 42ºC, que leva à morte. Associado a bebidas alcoólicas, o ecstasy pode causar choque cardiorrespiratório.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)