Estudo mostra que, em Salvador, o tabagismo começa aos 11 anos

Correio da Bahia
A pesquisa realizada nas escolas foi publicada pelo professor e pneumologista Adelmo Machado.

A estudante Mônica Santos, hoje com 23, experimentou cigarro pela primeira vez quando ainda estava no sexto ano. Na época, não gostava muito do gosto e tão pouco do cheiro impregnado no cabelo e na roupa, mas acender e tragar um cigarro com a galera mostrava uma certa atitude e isso, sem sombra de dúvida, era um diferencial.

Três anos mais tarde e quando o hábito já tinha se incorporado ao dia a dia, principalmente nas noites solitárias da janela do apartamento e nas baladas da galera, Mônica acompanhou todo o processo de diagnóstico e tratamento da tia, madrinha e grande amiga, que também era fumante e vivia um novo momento na vida por conta de um câncer de faringe.

“Foi um baque, perdi o chão, mas reconheço que essa crise me fez despertar para o fato de que fumar não tem nada a ver e ainda compromete a saúde”, diz a jovem que abandonou a dependência.

A tomada de consciência de Mônica não é uma constante entre os jovens. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o tabaco é a segunda droga mais consumida entre os jovens no Brasil e no mundo. Só perdendo para o álcool. Na verdade, 90% dos fumantes começaram a fazer uso do tabaco antes dos 19 .

Adolescentes
Uma pesquisa – realizada nas escolas de Salvador e publicada no ano passado pelo professor e pneumologista Adelmo Machado – mostrou, inclusive, que na capital baiana o hábito de fumar tem início aos 11 anos. “Como se não bastasse, o tabagismo se estabelece em associação com o consumo de bebidas alcoólicas nessa mesma faixa etária”, esclarece.

Nessa segunda-feira, a Organização Mundial de Saúde comemora o Dia Mundial sem Tabaco. A campanha se justifica no fato de que o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o mundo. As estimativas apontam que cerca de 1,2 bilhão de pessoas sejam fumantes.

No Brasil, onde 200 mil pessoas morrem anualmente vítimas dessa doença, o assunto vem sendo abordado não apenas pelo Ministério da Saúde, mas por outros órgãos governamentais e cada vez mais parcelas da sociedade.

Estímulos
Para o pneumologista Adelmo Machado, são muitos os estímulos para o consumo do cigarro: o custo baixo, o apelo publicitário que associa o tabaco às ideias de liberdade, emancipação, poder, rebeldia. “O cigarro encerra a mensagem de que aquele jovem é um adulto e isso é muito sedutor”, esclarece o médico.

No entanto, ele destaca que na criança em formação, o tabagismo interfere na formação do pulmão, por exemplo, que ficará com um volume menor do que uma criança não fumante. “Esse adolescente, muito provavelmente, ficará mais sujeito às gripes, bronquites, rinites e às infecções das vias aéreas superiores”, completa.

Como se não bastasse, ao longo dos anos, o consumo dos cigarros pontencializa os riscos ambientais para os cânceres e o surgimento de doenças crônicas, como infartos, hipertensão, enfisema pulmonar, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, as doenças sistêmicas, a depressão e a apneia.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)