Propaganda de cigarros pode ser vetada em padarias, bares e restaurantes de BH

Pernambuco.com
Onze anos depois de ser proibida na televisão, a propaganda do cigarro também pode ser vetada nos estabelecimentos comerciais de Belo Horizonte, como padarias, bares e restaurantes.

Projeto de lei aprovado em segundo turno pela Câmara Municipal prevê a substituição de cartazes e pôsteres da indústria do tabaco por advertências sobre os malefícios do fumo. A redação final do texto ficou pronta em 9 de maio e aguarda avaliação do prefeito Marcio Lacerda. Se a lei for sancionada, os comerciantes terão 90 dias para se adequar às regras e retirar das gôndolas de venda e balcões das lojas toda campanha de divulgação de cigarros, cigarrilhas, charutos e cachimbos. O descumprimento da determinação poderá acarretar multa que varia de R$ 500 a R$ 5 mil, além da apreensão dos produtos.

O advogado Júlio Belo, de 25 anos, fuma há três anos e reconhece que seu vício é fruto da propaganda. “O meio social influencia muito, passa a ser bonito fumar. Você vive um momento em que necessita da aprovação do grupo e começa a se envolver com o cigarro de uma forma estúpida. É como a propaganda na TV e nas campanhas, que seduz e estimula a vontade. Não sei se impedir essa divulgação reduziria o número de fumantes, mas é uma tentativa. Acho que a melhor medida para diminuir o consumo do tabaco é a conscientização dos males que o cigarro causa”, disse ele, que ainda tenta largar o fumo.

Para o psicanalista da PUC Minas Vitor Ferrari os adolescentes são mais frágeis e receptivos aos estímulos da propaganda porque estão na fase da construção da identidade. De acordo com o especialista, a indústria do cigarro vende a ideia de perfeição, de sucesso, sentimento de felicidade, valor e pertencimento ao grupo. “A propaganda estimula e desenvolve a vontade de consumir. Os marqueteiros do cigarro investem rios de dinheiro para vender uma ilusão. O mesmo ocorre com a indústria da cerveja, que mostra pessoas lindas, loiras e malhadas depois de consumir uma garrafa. Acho que esta é uma atitude educativa da sociedade e até valorosa principalmente para este público mais jovem e vulnerável. Além de retirar a propaganda, é importante ressaltar os males que o cigarro causa. Isso vai valer também para os adultos. O caubói de uma famosa marca de cigarros morreu de enfisema”, lembra o psicanalista, especialista em adolescentes e doutorando da Universidade de Paris.

Riscos

Fumante desde os 13 anos, o administrador Altivo de Almeida, de 71, também é a favor da iniciativa. “Não vemos mais na TV moças bonitas e carros do ano em propagandas de cigarro, mas acho que essas embalagens envolventes e cartazes que remetem à liberdade nos postos de venda também estimulam o consumo. Quanto mais restrição houver e mais se expor os riscos do cigarro, melhor vai ser. O ideal era proibir essa porcaria”, afirmou, aos risos, com um maço na mão.

Dono de uma padaria na Savassi, o comerciante Ivan Martins Pinheiro Filho, de 43 anos, lucra R$ 20 mil por mês com o comércio de cigarros – valor equivalente ao que recebe com a venda de refrigerantes da principal marca do mercado. Segundo ele, que deixou de fumar há dois anos, o cliente muda de padaria se não encontrar o maço de sua preferência. “Não adianta ter só o pãozinho ou café. O consumo de cigarros é muito grande, chego a vender 5 mil maços por mês. Percebo que a propaganda estimula, sim, senão, não haveria tanto investimento da indústria do tabaco. Sou a favor da medida.”
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)