Beltrame diz que desafio de combate ao crack é semelhante ao da ocupação das favelas pelas UPPs

O Globo
A Secretaria de Estado de Segurança, em parceria com o Instituto de Segurança Pública (ISP), realizou nesta terça-feira o Seminário Estratégias de Enfrentamento ao Crack.

Durante o evento, intelectuais, policiais, assistentes sociais estão discutindo formas de atuação dos agentes de segurança no combate à droga no âmbito do estado. Na abertura do seminário, o secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame, fez um paralelo entre o programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e o combate ao problema do crack:

– O desafio é executar, buscar diálogo com as instituições, enxergar de maneira ampla os problemas, estabelecer ações e responsabilidades de cada um e então arregaçar as mangas e ir à luta. Tenho um exemplo muito claro no programa de UPP. Todo mundo no Rio sabia o que tinha que ser feito com as áreas onde o Estado não estava: a academia sabia, os políticos sabiam, o judiciário sabia, a polícia sabia. E onde o estado não está, alguém está pelo estado.

Segundo Beltrame, o processo de instalação das UPPs não foi precedido de longas discussões teóricas:

– O processo da UPP foi muito da intenção ao gesto. Agora estamos fazendo o processo inverso: agora é que está se construindo doutrina. Há que se apresentar um método à sociedade sem medo de errar. Se errar, a gente conserta. O que não pode mais é a polícia dizer que vai até aqui, a Guarda Municipal até ali – afirmou Beltrame.

O secretário ressaltou a importância de outras instituições, além da polícia, se unirem para encontrar uma solução para o problema do crack:

– Não podemos ficar discutindo eternamente. Há necessidade de medidas concretas e objetivas para combater o crack. Não adianta ficar discutindo por muito tempo enquanto existem pessoas doentes. O atendimento a essas pessoas não se esgota na polícia, e também depende de outras instituições. Precisamos de soluções de continuidade – disse ele, acrescentando que a polícia tem feito sua parte, apreendendo até cerca de 100 pessoas por semana em operações de combate ao uso e ao tráficos da droga no estado.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)