Comissão quer ouvir ministro da Justiça sobre combate ao óxi

Agência Câmara
A Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Rural pode aprovar, nesta quarta-feira, a convocação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para informar os deputados sobre as ações do governo no combate a drogas como o óxi, que têm se disseminado na região amazônica.

A ideia de ouvir Cardozo partiu de parlamentares como a deputada Antônia Lúcia (PSC-AC). “Os deputados decidiram convocar o ministro juntamente com os superintendentes da Polícia Federal que compõem os nove estados da Amazônia Legal, além dos presidentes dos Conselhos de Desenvolvimento Humano dos estados da Amazônia.”

Nesta terça-feira, a Comissão da Amazônia realizou audiência pública para discutir a entrada do óxi no Brasil. O debate foi proposto pelos deputados Marcio Bittar (PSDB-AC), Padre Ton (PT-RO) e Antônia Lúcia. O óxi é um subproduto da cocaína, mais forte que o crack e com preço mais acessível.

O presidente da comissão, deputado Gladson Cameli (PP-AC), lembrou que, como se trata de uma nova droga, ainda há muito que se informar sobre seu uso e efeitos, pois não há dados concretos sobre “como é que o oxi é realmente produzido”. Ele ressalta a necessidade de a Polícia Federal ter mais recursos financeiros para combater essa droga.

Envolvimento dos índios
Já o presidente do Sindicato dos Policiais Federais, Joel Zarpellon, explicou que os laboratórios que estão nos países vizinhos arregimentam os índios para o plantio e transporte da cocaína até a fronteira. Segundo o sindicalista, os índios “sabem exatamente como plantar o epadú – que é a folha de coca brasileira – para que ela tenha um alcalóide de maior aproveitamento. O índio sabe como tirar [proveito da planta].”

O representante da Funai, Paulo Clemente, afirmou que a Fundação está acompanhando a questão dos índios em relação às drogas, mas admite que esse monitoramento é difícil porque as comunidades vivem em áreas extensas.

Paulo Clemente também destacou que no último censo foram declarados como indígenas 800 mil brasileiros que falam 180 dialetos. Para ele, “a questão das drogas deve ser discutida também pelos indígenas” que convivem diariamente com garimpeiros, madeireiros, pescadores ilegais e pistoleiros e devem ser responsáveis pela proteção de suas terras.

O deputado Márcio Bittar destacou que é preciso desmistificar o senso geral de que “só leis de proteção às florestas são suficientes para resolver os problemas da Amazônia”.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)