Escolas de Manaus devem discutir e prevenir uso de drogas

A Crítica
Coordenadora do projeto Escola Sem Droga (EDS), Laila Maffra, defende envolvimento total da escola nesse tema

A escola é um dos locais mais importantes para se falar e fazer a prevenção ao uso de drogas entre crianças e adolescentes. Mas tem que ser um trabalho diferenciado, mostrando que a droga é uma paixão perigosa capaz de atrair cada vez mais esse público para um caminho de difícil volta.

Quem afirma isso é a educadora e psicanalista Laila Maffra, 44, coordenadora nacional da Organização Não-Governamental (ONG) www.escolasemdrogas.com.br, que está em Manaus fazendo uma série de palestras em escolas públicas e particulares da capital e interior do Estado sobre o tema.

Amazonense radicada no Sul do País, autora de livros como o paradidático “Droga – disfarce irresistível” e “Droga disfarçada de estudante”, nos quais Laila e o escritor Arlem Maffra apresentam os riscos do contato com essas substâncias causadores de grandes tragédias familiares e sociais.

No trabalho desempenhado há dez anos pelo projeto Escolas Sem Drogas (ESD), criado há 22 anos no Amazonas, ela vai às escolas para conversar com os estudantes e alertar para o fato de que, na maioria das vezes, é no ambiente escolar que são oferecidas como experiências atraentes e sedutoras, o consumo de substâncias entorpecentes.

“Por isso, é na escola que as informações devem ser compartilhadas. Os jovens têm que saber que a droga é uma paixão que vai marcar para sempre a vida deles e temos que fazer isso de forma lúdica e emocional, apontando os aspectos negativos dessas experiências”, explica Laila.

Experiências
Nas atividades desenvolvidas nas escolas, os alunos leem o livro e depois são convidados a escrever sobre o conteúdo. A dinâmica foi tão interessante que estimula a participação e o interesse dos jovens sobre o tema.

Laila observa que, como no cenário nacional surgem drogas novas como o “oxy” e o “crack”, temas do terceiro livro dela, é fundamental aperfeiçoar a prevenção, que deve ser mais dinâmica a atraente. “De cada dez pessoas dependentes químicos, apenas um consegue se livrar do vício, por isso deve-se evitar o contato com a droga”, argumenta.

Nas atividades, é apresentado um filme contando uma história com personagens de Manaus, o que desperta mais a atenção dos estudantes, convidados a escrever sobre o que leram no livro paradidático e viram no filme. Tanto que um deles resolveu contar o seu envolvimento com as drogas e pedir ajuda.

“O garoto se achou na história, disse ser usuário de cocaína e agora está em tratamento”, explica ela, que também fala da inexistência de clínicas especializadas tanto na prevenção quanto no tratamento dos dependentes químicos.

Outro ponto enfocado por ela é a inexistência de clínicas especializadas na prevenção e o preço elevado das especializadas em tratamento. Segundo Laila, a maioria das clínicas existentes se tornou um nicho comercial que acaba explorando as famílias.

“Elas se aproveitam do momento de fragilidade das pessoas capazes de fazer todo e qualquer sacrifício para ajudar seu ente familiar”, explica ela, lamentando que muitos acabem gastando muito dinheiro nos processos de internação, feitos, muitas vezes, de forma involuntária.

Projeto oferece técnicas para reduzir danos
O projeto ESD tem como seu principal objetivo ministrar para alunos e educadores (pais e filhos) prevenção às drogas e técnicas para a redução de danos, por meio da interação do adolescente com a história. Tem como seu fundador o escritor Arlem Maffra, protagonista do livro “Droga – disfarce irresistível”.

O ESD nasceu da experiência da coordenadora, Laila MaMaffra, com o uso de drogas quando era adolescente em Manaus, onde chegou a ser internada na então Fundação do Bem Estar do Menor (Febem). Quando conseguiu liberdade, optou por fazer tratamento clínico em Brasília e depois disso veio a Manaus para se dedicar ao combate às drogas.

O projeto ESD oferece, nas redes de comunicação, sala de bate-papo, oportunidade para conversas com psicólogos e com a autora. “Ele se torna lugar de apoio, vamos atendê-lo, o telefone é passado para o adolescente, não ficamos longe, à disposição deles”, diz Laila.

O projeto ESD tem como seu principal objetivo ministrar para alunos e educadores (pais e filhos) prevenção às drogas e técnicas para a redução de danos, por meio da interação do adolescente com a história.

Um recado muito importante de todo o processo dado por Laila Maffra é de que a família é fundamental tanto no processo de prevenção ao uso de drogas quanto no tratamento.

No encontro com os alunos, ela fala abertamente do uso de álcool, maconha e até drogas mais pesadas que estão sendo descobertas agora, como o “oxy”, considerada mais prejudicial que o crack e que vem se disseminando entre os jovens.

A coordenadora do ESD também chama a atenção das secretarias municipal e estadual de educação dizendo estar à disposição para fazer um o trabalho nessas unidades de ensino que têm milhares de alunos.

“Como amazonense que conheço minha cidade, quero ser convidada a ir em escolas nas zonas Leste e Norte, onde existem muitas unidades para conversar com esses jovens”, afirma Laila.

Três anos
É o tempo de duração do projeto Escola Sem Droga nas escolas. Esse tempo foi ampliado devido o número assustador de jovens e adolescentes que estão ingressando cada vez mais cedo no caminho das drogas, informa a coordenação. Nesse período é feita a leitura dos livros, com as várias abordagens. Está em estudos uma adaptação da literatura para o ensino infantil.

Saiba mais

Palestras
A utilização cada vez mais cedo de drogas pelos adolescentes foi debatida durante esta semana no Centro de Ensino Literatus, com discussões entre pais, alunos e a pedagoga Laila Mafra.

Ela esteve também em outras escolas particulares e, neste sábado, estará em uma escola no Município de Manacapuru. O projeto está ainda em todas as redes sociais como Twitter, Facebook e Orkut.

Proerd
As palestras no Literatus aconteceram em parceria com o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) e marcam a realização, pelo grupo educacional, da Semana Anti-Drogas.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)