Apague o cigarro e os incêndios na mata

EPTV
25% dos incêndios no planeta são causados por pontas de cigarro

Desgraça pouca é bobagem. Além de fazer um mal danado à saúde (são mais de 4 mil substâncias tóxicas na fumaça), fumar ainda causa sérios problemas à natureza. Para começar, uma bituca de cigarro leva, em média, 100 anos para se degradar.

“As pessoas se esquecem ou ignoram o tempo da degradação do cigarro. Quando vemos um simples filtro de cigarro jogado na calçada, na praia, nos lagos, enfim, devemos pensar que nossos netos conviverão com esse lixo”, alerta o pneumologista Oliver Nascimento, médico assistente da disciplina de Pneumologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e vice-diretor do Centro de Reabilitação Pulmonar da instituição.

Mas esse não é o único dano. “É um dado aterrador, mas 25% dos incêndios que acontecem no planeta são provocados pelas bitucas (pontas de cigarro) acesas, resultando em destruição e morte”, diz.

Pensa que acabou? “É importante que a população olhe para os efeitos decorrentes do tabagismo no ser humano e, também, para mais além. Para se ter uma ideia, a cada 300 cigarros produzidos, uma arvore é derrubada. Portanto, o fumante de um maço de cigarros por dia sacrifica uma árvore a cada 15 dias”, informa Nascimento.

Segundo o especialista, para a produção dos cigarros, a lenha derrubada é usada nas estufas onde é feita a secagem das folhas do tabaco. “O desmatamento em larga escala deixa o solo desprotegido e a mercê de chuvas, e isso acaba provocando erosões e destruição da terra”.

Mas a luta contra o tabagismo é árdua. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), fumantes que tentam parar de fumar sem ajuda médica têm menor chance de sucesso (uma média de 5%). E mesmo entre os que conseguem largar o cigarro, apenas de 0,5% a 5% mantêm a abstinência por um ano sem apoio médico.

“É uma luta diária, mas que geralmente acaba em vitória para o ex-fumante. O que traz uma esperança de que essa pessoa passe a viver com saúde e qualidade, além de poder curtir a natureza preservada e deixá-la como herança para as futuras gerações”, conclui o médico.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)