Adulteração em 70% da cocaína nos EUA causa necropsia da pele, alertam médicos

Novo relatório aponta que uma droga veterinária que provoca graves reações cutâneas está presente em 70% da cocaína dos EUA. O artigo publicado no Journal of the American Academy of Dermatology alerta para uma potencial nova epidemia de saúde pública.

No estudo, seis pacientes em Los Angeles e Nova York, depois de fumar ou cheirar cocaína, desenvolveram manchas roxas de pele necrosada nas orelhas, nariz, bochechas e outras partes do corpo, além de, em alguns casos, sofrerem cicatrizes.

Médicos de São Francisco já haviam reportado dois casos semelhantes. Outros relatos informam que usuários de cocaína contaminada desenvolveram uma doença relacionada ao sistema imune que mata de 7 a 10% dos pacientes.

O Departamento de Justiça dos EUA acredita que até 70% da cocaína do país esteja contaminada com a droga levamisole, que é barata, amplamente disponível e geralmente utilizada para a combater parasitas em animais.

A levamisole já foi prescrita para seres humanos, mas foi desaconselhada exatamente por causar efeitos colaterais semelhantes aos encontrados nos usuários de cocaína.

“Acreditamos que estes casos de reações na pele e de doenças ligadas à cocaína contaminada são apenas a ponta do iceberg de um problema iminente à saúde pública representada pelo levamisole”, disse Noah Craft, pesquisador principal do Los Biomedical Research Institute em Harbor-UCLA Medical Center (LA BioMed) e autor do relatório.

“Publicamos este relatório para educar o público para os riscos adicionais associados com o uso de cocaína e para aumentar a consciência entre os médicos que podem ver pacientes com estas reações cutâneas que são uma pista para a causa subjacente da doença. Esta reação pode ser confundida como uma doença auto-imune chamada vasculite, então, é importante para os médicos saberem sobre esta nova doença”, completa Craft.
Autor:
OBID Fonte: UOL Ciência e Saúde