ONU: drogas sintéticas ganham mercado em relação às ilegais

Novas drogas sintéticas estão substituindo a cocaína, a heroína e a maconha, cujos mercados mundiais se reduziram ou estabilizaram, aponta o Relatório Mundial sobre Drogas de 2010, apresentado nesta quinta-feira pela ONU.

“As drogas sintéticas, que imitam as substâncias ilegais, neutralizam os preocessos observados nos mercados tradicionais da droga”, disse Yuri Fedotov, diretor executivo do Escritório das Nações Unidas contra Droga e Crime (UNODC).

Muitas substâncias não regulamentadas são comercializadas como “drogas legais” e substitutos de estimulantes ilícitos, como a cocaína e o êxtase, explica o informe.

“A metanfetamina, substância extremamente viciante, tem se propagado em todo o leste da Ásia e na América do Norte. Seu consumo teve início em 2009, após vários anos de declínio”, diz a análise.

Segundo o informe, “2009 foi o ano em que se implantaram mais drogas sintéticas no mercado, principalmente devido à metanfetamina, que aumentou em mais de um terço entre 2008 (11,6 toneladas) e 2009 (15,8 toneladas).

Contudo, se o consumo geral de drogas, incluindo entre os dependentes (0,6% da população de 15 a 64 anos), se manteve estável, houve um grande aumento da demanda de substâncias não submetidas à fiscalização internacional, como a piperazina e a catinona, diz o texto.

O informe afirma, no entanto, que a maconha continua sendo a substância ilícita mais produzida e consumida em todo o mundo.

“Em 2009, entre 2,8% e 4,5% da população mundial de 15 a 64 anos (entre 125 e 203 milhões de pessoas), consumiram maconha ao menos uma vez durante o ano”.

De acordo com as cifras difundidas pela ONU, a superfície total mundial de cultivo da coca se reduziu a 149.000 hectares em 2010, 18% menos com respeito a 2007, graças a diminuição da produção colombiana.

O texto destaca ainda que pela primeira vez a Colômbia não é o país líder indiscutível no cultivo de coca, pois já teria sido alcançado pelo Peru e inclusive sido superado, de acordo com a pesquisa.

O Peru cultivou 61.200 hectares em 2010 (contra 59.900 um ano antes), a Colômbia 57.000 (contra 68.000 em 2009) e a Bolívia 30.900, o mesmo número que em 2009, diz a pesquisa.

Contudo, se for levado em conta os números ajustados, que incluem pequenas plantações, a Colômbia registrou 62.000 hectares cultivados em 2010, contra 73.000 em 2009, o que ainda a coloca acima do Peru.

Esta diferença entre os cultivos colombianos se deve ao fato de que as superfícies são calculadas a partir de imagens de satélites, cuja resolução não permite detectar campos inferiores a 0,25 hectares.

“Basicamente eles (Peru e Colômbia) têm o mesmo nível de produção”, disse Thomas Pietschmann, um dos autores do estudo da UNODC.

O informe destaca também uma queda significativa da produção de ópio, de 38%, para 4.860 toneladas em 2010, devido a uma praga que praticamente acabou com a safra do Afeganistão, principal produtor mundial.

Já a Birmânia elevou a produção do ópio, que passou a representar 12% da produção mundial, contra 5% em 2007.

Em 2010, a superfície dedicada ao cultivo da papoula a nível mundial foi de 195.700 hectares, um pequeno aumento com relação a 2009, diz a análise.
Autor: Mariano Andrade
OBID Fonte: BBC Brasil