Cigarros matam ainda mais no inverno

Diário de São Paulo
Doença pulmonar grave causada pelo tabaco pode levar até dois milhões para o hospital nesta época do ano, afirmam especialistas brasileiros

De acordo com o Ministério da Saúde há cerca de 25 milhões de tabagistas no Brasil, cerca de 17,2 % da população. Todos os anos, morrem cerca de 200 mil pessoas vítimas de doenças associadas ao cigarro, sendo a DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), que engloba a o enfisema pulmonar e a bronquite crônica, uma das mais graves e fatais.

No inverno, época de alta suscetibilidade para crises e doenças pulmonares, a Sociedade Paulista de Pneumonologia e Tisiologia estima que pelo menos dois milhões de pessoas, que possuem a forma mais grave da doença, vão precisar de atendimento hospitalar por conta de complicações. “É um doença crônica desencadeada por uma série de fatores, mas especialmente devido ao cigarro. O tempo frio, o clima seco e a poluição concentrada no ar podem provocar infeções respiratórias graves em um pulmão comprometido”, diz o pneumologista Mauro Gomes, diretor da Comissão de Infeções Respiratórias da Sociedade Paulista de Pneumologia.

A DPOC se desenvolve progressivamente, depois de anos de exposição dos brônquios do pulmão (estruturas responsáveis pelo transporte de ar até órgão) à fumaça tóxica do cigarro, explica Mauro Gomes. “É a sétima maior causa de morte no país, com aproximadamente 37 mil óbitos por ano, cerca de quatro mortes por hora”, afirma ele, ressaltando que entre 20% e 40% dos fumantes brasileiros vão desenvolver a doença até 2020.

De acordo com a OMS, não há como esconder que o cigarro, responsável por 80% dos casos de DPOC, é o grande vilão. “Como ela pega os canais que levam o ar até os alvéolos pulmonares, provocando o enfisema, logo o tempo de exposição é o que determina o grau da doença, principalmente nos mais velhos. Quem fuma mais que um maço por dia durante 20 anos tem um risco maior de conviver com a doença em sua forma mais grave”, explica Júlio Cesar Abreu de Oliveira, chefe da Unidade de Terapia Intensiva do Serviço de Pneumologia do Hospital da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Ele ressalta que a DPOC não tem cura e os estragos causados pelo cigarro são irreversíveis. Mas remédios broncodilatadores mais modernos têm sido fundamentais no tratamento. “Hoje, já encontramos drogas no mercado brasileiro com efeito de 24 horas, que aumentam a aderência ao tratamento. Mas parar de fumar é essencial antes de ter o problema”, diz.

210
milhões são afetados pelo DPOC no globo

O cigarro e a próstata
Um estudo com 5.366 homens da Escola de Saúde Pública de Harvard, nos EUA, concluiu que fumar aumenta em 61% o risco de morte para pacientes com câncer de próstata em comparação a não fumantes.

1% das mortes causadas pelo cigarro se deve ao tabagismo passivo

Diminuição
Até 1989, 33% da população era fumante, mas as recentes leis Antifumo do Ministério da Saúde reduziram pela metade esse número. De 2006 a 2010, a proporção de fumantes acima dos 18 anos caiu 15,1%.

R$ 86
milhões foram usados para tratamentos contra o cigarro nos últimos 5 anos

Proibido fumar
“Quem fuma mais de um maço por dia durante 20 anos tem um risco maior de ter a doença”
Júlio Cesar Abreu de Oliveira
Pneumologista
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)