Usuários de crack lotam a rede de saúde

Todo Dia
Em algumas cidades, eles já representam maior parte dos viciados em tratamento: álcool lidera na maioria.

Apesar de o álcool continuar sendo o principal vício dos moradores da RMC (Região Metropolitana de Campinas), o consumo de crack começa a ganhar destaque em alguns municípios. Em Indaiatuba e Cosmópolis, a maioria dos dependentes químicos que procura ajuda no SUS (Sistema Único de Saúde) é usuário de crack. Os viciados nas duas drogas representam, em média, 80% dos dependentes que querem se livrar dos vícios.

O fácil acesso a essas drogas e seus efeitos são os principais motivos que levam à dependência, segundo Nelson Hossri Neto, especialista em dependência química, idealizador da ONG (organização não-governamental) Sou feliz Sem Drogas, de Campinas, e coordenador de Prevenção às Drogas no município .

“A bebida alcoólica, devido à falta de fiscalização, o preço baixo e por ser legalizada, é a droga mais consumida. O crack pela sua composição, preço baixo e chegando no sistema nervoso central em mais ou menos 12 segundos, torna-se a droga com maior tolerância – o sistema nervoso se adapta e pede maiores quantidades para atingir o efeito anterior, tornando o vício mais rápido”, esclareceu.

Segundo Hossri Neto, a maioria dos usuários de álcool que procuram tratamento também é viciada em crack e vice-versa. “O álcool é uma droga depressora. A pessoa bebe e fica triste, deprimida. Então procura o crack, que também é barato e tem o efeito contrário, é uma substância estimulante, deixa eufórico. Um compensa o outro”, comentou.

Em Campinas, segundo informou a assessoria de imprensa, 50% dos viciados atendidos pela rede pública de saúde são alcoólatras e 30% são usuários de crack. Em Indaiatuba, a situação se inverte: metade dos atendidos é viciada em crack e 40% são dependentes do álcool. Já em Hortolândia, dos usuários que procuram ajuda, 45% são alcoólatras e 39% fazem uso de múltiplas drogas. A Prefeitura de Cosmópolis não forneceu números, mas afirmou que a maioria dos atendidos é viciada em crack. A Prefeitura de Americana confirmou que o álcool é o principal diagnóstico, seguido do crack e cocaína.

Todas as cidades da RMC foram procuradas pelo TodoDia, mas algumas não possuem o levantamento e outras não retornaram aos contatos.

ajuda

Segundo Hossri Neto, menos de 30% dos viciados em drogas procuram ajuda para se livrar do vício. “Em média, cerca de 70 pessoas nos pedem ajuda por mês. Mas destes 70, apenas 20 são viciados. Os outros 50 são familiares de drogados que não sabem lidar com a situação”, explicou.

A principal causa da baixa procura por tratamento é o efeito da droga. “Os dependentes nunca sabem se querem parar ou não. Quando ele sofre algum problema em decorrência do uso da droga, ele jura que vai parar. Mas em seguida tem uma crise de abstinência e volta a usar”, explicou o especialista.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)