Álcool triplica chance de desenvolver câncer

Diário Web
Uma pesquisa da Unesp de Rio Preto revela que o consumo de bebida alcoólica triplica a chance de desenvolver câncer no estômago.

Esse tipo de câncer é o terceiro mais frequente entre os homens e o quinto entre as mulheres. Além disso, ocupa as mesmas posições quando o tema é a causa de morte.

Segundo o gastroenterologista Renato Silva, 20 gramas de álcool por dia já são suficientes para aumentar o risco de câncer. “O consumo de álcool e fumo estão diretamente ligados a todos os tipos de câncer”, afirma. A pesquisa de doutorado da bióloga Juliana Garcia de Oliveira, coordenada pela professora Ana Elizabete Silva, analisou 723 amostras de DNA de pacientes do Hospital de Base, colhidas ao longo de 11 anos pela equipe da Unesp de Rio Preto.

Depois de 4 anos de estudos, a bióloga descobriu que, além do consumo de álcool, outros fatores também aumentam o risco de uma pessoa desenvolver câncer de estômago. De acordo com a pesquisa, concluída em fevereiro deste ano, homens têm quase duas vezes mais chances (1,82) de ter a doença do que as mulheres. Pessoas acima dos 60 anos têm uma chance a mais (1,65), comparado a pessoas com menos idade.

A coordenadora do projeto afirma que o fator ambiental é a principal causa da doença. “O câncer, de todos os tipos, surge devido a mutações no DNA das células. Essa mutação é provocada, geralmente, por fatores ambientais aos quais estamos expostos, como cigarro, álcool, radiação, medicamentos, drogas, etc. Nossas células estão sendo danificadas e mutadas todos os dias. Isso não significa que vamos ter câncer sempre, mas a medida que o tempo passa, vai aumentando o risco.”

Exemplo disso, é o caso de Valter Custódio Xavier Júnior, 59 anos, que recebeu o diagnóstico de câncer de estômago no final de março deste ano. Em 2006, Xavier fez tratamento para uma úlcera no Hospital de Base de Rio Preto. “Naquela época fizeram exames, mas não apareceu nada, acho que ficou mascarado”, conta. Em janeiro deste ano, a úlcera que tinha cicatrizado anos antes voltou a sangrar e ele procurou novamente o HB.

“Fiquei internado uns 20 dias, fizeram biópsia e novamente não encontraram nada, mas quando fiz o ultrassom, a médica achou que tinha algo estranho.” Diante da anomalia detectada, os médicos decidiram operar o paciente. “Eles me levaram para o centro cirúrgico antes mesmo de sair o resultado da segunda biópsia. Retiraram o tumor e enviaram para análise. Só aí fui saber que tinha câncer.”

Xavier fumou e bebeu socialmente há mais de 40 anos. “É um susto e muda a nossa vida. Sou diabético também, então minha dieta fica muito restrita, porque o que faz bem para uma doença, faz mal para a outra.” O paciente se submete a sessões de quimioterapia e radioterapia. Sem beber nem fumar desde fevereiro, ele acredita que não conseguirá remediar o estrago causado em seu organismo. “São mais de 40 anos fumando e tomando uma cervejinha no final de semana. Não adianta querer fazer tudo certo agora, tinha que ter feito lá atrás.”

Para o gastroenterologista Renato Silva, “beber socialmente” é uma ilusão. “Não existe isso, porque o socialmente de um não é igual ao do outro. Não temos uma definição exata do que é o ‘beber socialmente’. É importante. Uma latinha de cerveja por dia já é um fator agravante.”

Bactéria eleva risco da doença

Presente em aproximadamente 50% da população mundial, a bactéria Helicobacter pylori também aumenta o risco de câncer no estômago. “As pessoas contraem a bactéria por meio de alimentos e água contaminados e ainda pelo contato boca a boca”, diz o cirurgião gastroenterológico e chefe do serviço de cirurgia oncológica digestiva alta da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), Aldenis Borim.

Apesar de estar associada a doenças como úlceras e gastrite, a bactéria não causa sintomas no paciente. “Temos três maneiras de diagnosticar essa bactéria. Pode ser feita uma biópsia, um exame do sulco gástrico ou um teste respiratório”, diz. O tratamento é simples, porém caro. “Antes, se o paciente tinha úlcera era feito o tratamento da bactéria, mas os médicos perceberam que não era necessário esse tratamento em todos os casos. O valor dos medicamentos varia de R$ 100 a R$ 200”

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Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)