Cigarro provoca perdas auditivas

Não é novidade que o fumo passivo, ou seja, inalar a fumaça do cigarro de outra pessoa, pode causar sérios problemas de saúde, especialmente em crianças. O que uma pesquisa publicada na edição de hoje do periódico científico Archives of Otolaryngology mostrou é que conviver em um ambiente poluído por fumaça de cigarros pode ter um impacto significativo na audição dos mais novos. Segundo o estudo, do New York Langone Medical Center, de Nova York (EUA), 80% dos jovens que apresentavam perda de audição estiveram expostos ao cigarro, em algum momento da vida, seja na gravidez, infância ou adolescência.

O estudo, que avaliou 1.533 jovens, de 14 a 19 anos, revelou que os efeitos do processo são cumulativos. “Todos os adolescentes que são expostos a fumo passivo têm a audição mais pobre em todas as frequências”, conta o médico Anil k. Lalwani, principal autor do estudo, em entrevista ao Correio. “Além disso, descobrimos que os efeitos do cigarro são cumulativos. Ou seja, quanto mais tempo de exposição, maior a prevalência de problemas auditivos mais graves”, completa.

Efeitos negativos
A pesquisa mostra uma realidade preocupante, já que nos Estados Unidos, 60% dos adolescentes na faixa etária pesquisada estão expostos à fumaça do cigarro. No Brasil, esse percentual é de 40%. “Nós já sabíamos que a nicotina tinha um efeito negativo na audição a longo prazo, mas não tínhamos informações que comprovassem esses danos auditivos ainda na infância”, explica o pesquisador americano. “Agora, podemos afirmar que o cigarro não apenas causa perdas temporárias, como permanentes e irreversíveis na audição”, completa.

A explicação para o problema é o efeito da nicotina nos vasos sanguíneos. “Ela (a nicotina) reduz o nível de oxigênio, diminuindo a presença de receptores nicotínicos no ouvido interno. O que leva à perda auditiva neurossensorial”, explica Lalwani. “O problema é que apenas 20% desses jovens sabem que estão com problemas auditivos. Não basta perguntar se elas têm problemas na audição, é necessário criar políticas de triagem e exames auditivos nessas crianças”, completa. (MMM)
Autor: Breno Fortes
OBID Fonte: Correio Braziliense