Drogas na gravidez podem causar problemas ao bebê

Jornal de Araraquara
Uso de entorpecentes produz lesões fetais que atrasam desenvolvimento da criança.

O coordenador do Curso de Medicina da Uniara, Dr. Valter Curi Rodrigues, fala sobre problemas que podem ocorrer na gravidez, destacando danos causados pelas drogas pesadas nos recém-nascidos. Citou também doenças causadas por fatores genéticos e ambientais.

O uso de drogas mais pesadas na gravidez (cocaína, anfetaminas, psicotrópicos e seus derivados) resultam em lesões fetais que atrasam o desenvolvimento da criança. ” O nenê não cresce, ou cresce pouco na barriga da mãe. Pode ocorrer a síndrome da abstinência fetal, com quadro acompanhado de tremores e convulsão” .

O festejado médico, de vasto saber, relata caso chocante com usuária de crack. ” Ela foi internada por três gestações em um período de cinco anos. Os três bebês nasceram com abstinência, e pequenos para a idade gestacional” .

Outro agravante quando os usuários não só consomem determinado tipo de droga, como também misturam bebidas e cigarros, além de estilo de vida estressante.

Para Valter Curi, todos esses fatores causam complicações gestacionais. ” Essa situação envolve ambiente, emoção e rejeição, e os jovens encontram nas drogas uma fuga da realidade. É uma bola de neve perigosa que leva mulheres a engravidar na hora errada, e comprometer seu futuro profissional e pessoal. Tudo isso pode levar o recém-nascido a apresentar déficits globais em seu desenvolvimento” , afirma o médico-coordenador da Uniara que já cuidou de três gerações em Araraquara com máxima eficiência.

Outro tipo de problema referente à gravidez está no consumo do álcool, ” uma droga lícita que causa a síndrome feto alcoólica. Dependendo da idade gestacional e da quantidade de álcool ingerida, pode levar à microcefalia, alteração grave do sistema nervoso central (SNC), alteração ocular, e cardiopatia congênita, que é quadro clínico da Síndrome Fetal Alcoólica. É um processo irreversível” , destaca Rodrigues.

Quando a mãe ingere álcool em quantidade menor, depois do terceiro ou quarto mês gestacional, o resultado não é a má formação, mas uma discreta microcefalia, hiperatividade e déficit de atenção, que é chamado de efeito feto alcoólico.

Outros tipos de doenças causadas por fatores ambientais também podem resultar na má formação fetal. ” São várias deficiências, como visual, auditiva, encefálica e cardíaca, entre as mais graves” , explica o coordenador.

Principais problemas

Rodrigues afirma que mulheres muito jovens não devem engravidar, já que seus órgãos reprodutores ainda não estão preparados para a concepção. ” Não existe condição anatômica ideal e nem mesmo condição comportamental. É necessário ter compromisso, condições financeiras, e responsabilidade” .

Ele cita ainda, como problema comum na gravidez, as infecções materno-fetais, que causam graves problemas à sua saúde do bebê, especialmente no seu início, quando o feto ainda está se formando. ” O sangue da mãe é o mesmo do bebê e, portanto, quando ocorre uma infecção, como rubéola, sífilis, toxoplasmose, herpes ou citomegalovírus, o bebê é diretamente afetado” , diz Rodrigues.

O doutor dá detalhes sobre as consequências da rubéola, e chama a atenção para o perigo do citomegalovírus. ” A síndrome da rubéola congênita causa problemas graves ao SNC e no globo ocular, mas tem vacina. A maioria das adolescentes em nossa região está vacinada. O vírus da inclusão citomegálica também agride o SNC, causa microcefalia, provoca um atraso brutal no desenvolvimento do bebê e o mais grave: não tem vacina” , adverte.

Segundo o médico, a infecção pelo citomegalovírus é causada principalmente devido à atividade sexual promíscua. ” Com a troca constante de parceiros sexuais, as chances de contrair a doença aumenta. Isso ocorre com pessoas de todas as classes sociais, e a maior prejudicada é a criança” , observa Rodrigues.

Vários tipos de anomalias também podem ocorrer antes mesmo da concepção, quando um homem e/ou uma mulher apresentam determinados problemas genéticos que, na concepção entre o casal, leva a criança a nascer com alterações genéticas. ” Se você sabe que o pai e/ou a mãe têm essa incompatibilidade de genes, deve-se evitar a concepção antes de um aconselhamento genético” , adverte o coordenador.

No aspecto geral, o médico vê como solução de todos esses problemas um enfoque preventivo para toda a comunidade, especialmente para famílias desestruturadas. ” A falta de educação e de informação por parte de pais e mães imaturos leva ao nascimento de crianças com problemas mentais. Precisamos de uma estrutura gigantesca para prevenir e orientar a população” , finaliza.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)