O álcool pode triplicar a chance de desenvolver câncer no estômago

Atibaia.com.br
O estômago é o órgão que vem logo após o esôfago, no trajeto do alimento dentro do aparelho digestivo. Ele tem a função de armazenar por pequeno período os alimentos, para que possam ser misturados ao suco gástrico e digeridos.

O câncer de estômago (também denominado câncer gástrico) é a doença em que células malignas são encontradas nos tecidos do estômago. Os tumores do câncer de estômago se apresentam, predominantemente, sob a forma de três tipos histológicos: 1) o adenocarcinoma, responsável por 95% dos tumores gástricos, 2) o linfoma, diagnosticado em cerca de 3% dos casos, e 3) o leiomiossarcoma.

Cerca de 70% dos pacientes diagnosticados com câncer de estômago têm mais de 50 anos. O pico de incidência se dá em sua maioria em homens, por volta dos 70 anos de idade.

No resto do mundo, dados estatísticos revelam um declínio da incidência do câncer gástrico, especificamente nos Estados Unidos, Inglaterra e em outros países mais desenvolvidos. A alta mortalidade é registrada atualmente na América Latina, principalmente nos países como a Costa Rica, Chile e Colômbia. Porém, o maior número de casos de câncer de estômago ocorre no Japão, onde encontramos 780 casos por 100.000 habitantes, pelo consumo exagerado de bebidas como o chá, em altas temperaturas.

Segundo pesquisas da UNESP de Rio Preto, o consumo de bebida alcoólica triplica a chance de desenvolver câncer no estômago.

Esse tipo de câncer é o terceiro mais freqüente entre os homens e o quinto entre as mulheres. Além disso, ocupa as mesmas posições quando o tema é a causa de morte.

Segundo o gastroenterologista Renato Silva, 20 gramas de álcool por dia já são suficientes para aumentar o risco de câncer. “O consumo de álcool e fumo estão diretamente ligados a todos os tipos de câncer”, afirma. Outra pesquisa analisou 723 amostras de DNA de pacientes do Hospital de Base, colhidas ao longo de 11 anos pela equipe da UNESP de Rio Preto.

Depois de 4 anos de estudos, descobriu-se que, além do consumo de álcool, outros fatores também aumentam o risco de uma pessoa desenvolver câncer de estômago. De acordo com a pesquisa, concluída em fevereiro deste ano, homens têm quase duas vezes mais chances (1,82) de ter a doença do que as mulheres. Pessoas acima dos 60 anos têm uma chance a mais (1,65), comparado a pessoas com menos idade.

Para o gastroenterologista Renato Silva, “beber socialmente” é uma ilusão. “Não existe isso, porque o socialmente de um não é igual ao do outro. Não temos uma definição exata do que é o “beber socialmente”. Uma latinha de cerveja por dia já é um fator agravante.”

A bactéria Helicobacter pylori , presente em aproximadamente 50% da população mundial, também aumenta o risco de câncer no estômago. As pessoas contraem a bactéria por meio de alimentos e água contaminados e ainda pelo contato boca a boca.

Apesar de estar associada a doenças como úlceras e gastrite, a bactéria não causa sintomas no paciente. Temos três maneiras de diagnosticar essa bactéria. Pode ser feita uma biópsia, um exame do sulco gástrico ou um teste respiratório. O tratamento é simples, porém caro.

O Helicobacter pylori ( Hp ) é uma bactéria que vive no muco que cobre a superfície do estômago e, foi identificada, por dois australianos, Warren e Marshall, em 1983.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)