Publicidade prejudica o combate ao consumo de álcool entre os menores

A Tribuna
Apesar da boa intenção do Governo do Estado para combater o consumo de álcool na infância e na adolescência, um dos pontos chaves que mais influenciam essa prática é a publicidade de tais produtos.

O alerta foi dado pela Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), durante um seminário realizado em meados do ano passado e organizado pela psicóloga Ilana Pisnky.

Trata-se de uma discussão que está sendo travada há alguns anos por entidades da sociedade civil e da esfera governamental. Existem organizações que defendem o fim das propagadas dessa droga lícita, assim como ocorreu com o cigarro. Por outro lado, as empresas são contrárias a essa radicalização. É uma questão polêmica, que já está em debate no Congresso Nacional. Os parlamentares têm a chance de alterar as leis federais que regulam as restrições ao uso e a propaganda de bebidas alcoólicas.

Durante o evento da Abead, Ilana apresentou três pesquisas que correlacionavam o consumo dessa droga lícita com as propagandas exibidas nos meios de comunicação. Um dos levantamentos apontou que existe uma ligação direta na transmissão das publicidades de bebidas em todos os períodos do dia, com destaque para os programas esportivos. “Essas evidências do consumo de álcool entre jovens são ainda mais preocupantes por sabermos que, neles, os efeitos podem ser devastadores”, frisa a psicóloga.

No encontro do ano passado, o psiquiatra e docente de epidemiologia da Escola de Saúde Públicada Universidade do Texas, Raul Caetano, disse que o controle da publicidade do álcool é “extremamente central”, ou seja, direcionado a homens e jovens, e que a autorregulamentação existente hoje no País não funciona.

O presidente do Comad, Pereira Filho, acredita que essa batalha em âmbito federal para ampliar a restrição das peças publicitárias de bebidas alcoólicas será longa, assim como ocorreu com o tabaco. “Sou favorável às mudanças. Em outubro, estaremos participando de um seminário sobre esse tema na UniSantos (Universidade Católica de Santos). É um verdadeiro caminho das pedras, porque o lobby das empresas é muito grande”, destaca.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)