Interior de SP tenta frear consumo de álcool de jovens em postos

Folha de São Paulo
A combinação de álcool, drogas e carros virou alvo de projetos de lei em Câmaras de cidades do interior de São Paulo e da fiscalização da Polícia Militar. O objetivo é frear o consumo de bebidas e drogas entre jovens.

Em Araraquara (273 km de SP), a Câmara aprovou na semana passada um projeto de lei que pretende multar postos com casos de música alta. O objetivo final é, segundo o vereador João Farias (PRB), autor da lei, coibir o uso de álcool e drogas em postos.

Para ele, sem o som alto os jovens ficariam desestimulados a beber por horas.

Em Sertãozinho (333 km de SP) e em Franca (400 km de SP), as PMs intensificaram a fiscalização em avenidas que serviam de pontos de concentração de jovens. Eles deixaram de frequentar os locais, mas se “espalharam” pela cidade.

A avenida Antônio Paschoal, em Sertãozinho, era ponto de encontro de jovens que ouviam música alta e consumiam bebidas que levavam em isopores, diz o tenente Edson Roberto Aloizio.

Segundo ele, o “esquenta” em postos ainda acontece, mas a polícia pouco pode fazer se o motorista não for flagrado alcoolizado.

Em Franca, a PM também procura coibir a mistura de carros, música e álcool.

Os motoristas “migraram” de postos das avenidas Severino Tostes Meireles e Wilson Sábio de Melo para outros locais da cidade, como em garagens de casas nos bairros. Nesses casos, a PM só pode agir se houver denúncia.

Em São Carlos (232 km de SP), a perturbação do sossego também poderá ser usada como embasamento para coibir excessos. Segundo o vereador Roberto Mori Roda (PV), autor da lei regulamentada no ano passado, fiscais da prefeitura e PM atuam em conjunto em ações nos postos, durante o dia ou à noite, após o registro de denúncias.

Na maior cidade da região, a discussão ainda está em torno de um projeto da vereadora Gláucia Berenice (PSDB). Ela quer proibir o consumo de bebidas e a aglomeração de jovens em postos de combustíveis.

ATRAPALHA, MAS…

Representantes dos postos de combustíveis de Ribeirão Preto (313 km de SP) e Araraquara disseram que a aglomeração atrapalha os clientes, mas eles têm opiniões diferentes quanto às regras contra o consumo.

Oswaldo Manaia, presidente do Sincopetro de Ribeirão, defende que só proprietários devam estipular regras nos postos. João Posse, do Sincopetro de Araraquara, é a favor da lei aprovada lá. Para ele, “postos são para vender combustíveis”, não são bares e nem restaurantes.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)