60% dos atendimentos feitos neste ano pela Sasc envolvem crack

O Diário.com
Cerca de 60% dos atendimentos feitos neste ano pela Gerência de Políticas Sobre Drogas, da Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Sasc), de Maringá, referem-se aos usuários de crack e o restante, 40%, são de usuários de álcool e outras drogas.

De janeiro a agosto deste ano, a Sasc já atendeu 3.716 usuários de drogas, mas a maior incidência é de crack e álcool. Em todo o ano passado, 7.211 usuários foram atendidos pela secretaria. De janeiro a julho deste ano, a polícia apreendeu mais de 15 quilos de crack.

“Percebemos que os jovens têm acesso às drogas cada vez mais cedo. Há dois anos, a razão era inversa: 40% eram usuários de crack e 60%, de álcool”, diz Alex Chaves, gerente de Políticas Sobre Drogas da Sasc e vice-presidente do Conselho Municipal de Políticas Sobre Drogas (Comad).

Ele alerta que o crack é uma das drogas mais perigosas e com poder de viciar praticamente instantâneo. “O crack não dá a segunda chance”, observa.

A Sasc realiza trabalhos em três frentes. A primária alerta crianças, jovens e adultos sobre o perigo da droga e a importância de evitar o primeiro contato. A secundária é voltada para quem está usando a droga e recebe orientações sobre locais de tratamento. E a terciária, para aqueles que já passaram por tratamento e precisam se manter distantes do crack.

O Conselho Federal de Medicina estabeleceu as Diretrizes Gerais Médicas para Assistência Integral ao Dependente do Uso de Crack. A Cartilha Contra o Crack, como é chamada, aponta quais os principais problemas que o usuário enfrenta e como deve ser o atendimento dos órgãos públicos na busca pela recuperação.

Segundo a cartilha, o atendimento deve ser multifatorial dirigido às várias áreas afetadas, como física, psicológica e social. Chaves diz que Maringá é referência no atendimento e que atende a todos os requisitos da cartilha.

Veja a tabela com o relação de apreensão da droga

A droga é uma prisão
A.G. >> Usou maconha aos 14 anos e conheceu o crack aos 19. Hoje, com 29, está livre do vício

Como era sua vida, antes de você procurar ajuda para se livrar das drogas?

Na época em que eu usava crack, viva com traficantes, não trabalhava. Fazia alguns bicos, às vezes minha mãe me dava dinheiro e eu gastava tudo em crack. Depois, ficava seis meses sem a droga e voltava a cair.
Minha mãe vivia me internando. Às vezes eu pedia para ser internada. A droga roubou todos os meus sonhos.

E como é sua vida hoje?

Depois que recuperei minha sobriedade e consegui abstinência total, a vida ficou melhor, tudo mudou, fiz novos amigos. No meu tempo de recuperação vi que o crack é uma doença, não é um dilema moral. Somos humanos e errar faz parte da vida, mas não podemos persistir no erro. A droga é uma prisão, uma paranoia. Há três meses, quando ia dormir, achava que alguém ia sair debaixo da cama para me matar, tinha alucinações.
A luta contra o crack é diária e o usuário deve estar vigilante a cada dia de sua vida para evitar recaídas.

Hoje você trabalha como voluntária no atendimento a usuários. A que atribui o envolvimento de jovens com as drogas?

A dependência nasce no seio familiar. Os pais, atualmente, têm pouco tempo para os filhos.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)